terça-feira, 21 de abril de 2026
Eleições 2026

Grupo de Wilder precisa superar racha no PL se quiser fortalecer candidatura

Aliados do senador dizem que, apesar da pré-campanha tímida e fissura no partido, nome do partido ao governo segue como favorito para fazer frente a Daniel Vilela 

Thiago Borgespor Thiago Borges em 21 de abril de 2026
6 abre Wilder Morais no Senado Foto Carlos Moura Agencia Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A pré-candidatura do senador e presidente estadual do PL, Wilder Morais, ao governo do Estado ainda não engrenou como se esperava de um projeto ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um ambiente predominado pelo eleitorado conservador.

Fato é que o parlamentar ainda aparece, na grande maioria das pesquisas de intenção de voto, no terceiro lugar, atrás do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O senador costuma aparecer empatado com a deputada federal Adriana Accorsi, que ainda aparece como o nome do PT em meio à indefinição do partido sobre a pré-candidatura ao governo estadual, e distante do governador Daniel Vilela (MDB), que lidera a maioria dos levantamentos.

Apesar da situação atual da pré-campanha do líder da legenda bolsonarista em Goiás, o entendimento entre os aliados de Wilder não é de preocupação. A análise do grupo do senador é de que Wilder segue como o principal cotado para desbancar Marconi e fazer frente a Daniel na disputa pelo governo estadual. 

O entendimento é o de que, ao adentrar de vez na campanha como o candidato de Bolsonaro, Wilder poderá agrupar o eleitorado bolsonarista, independente do racha no partido. A relação entre Wilder e o deputado e pré-candidato ao Senado, Gustavo Gayer (PL), não é das melhores, desde a discordância a respeito de uma candidatura própria do PL ao governo estadual. Gayer defendia uma composição com o grupo palaciano de Daniel.  A discordância levou a fissura na legenda entre os grupos do senador e do deputado.

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Histórico recente

A avaliação de Wilder e aliados é que o mesmo fenômeno que elegeu o senador em 2022 e levou o ex-deputado estadual Fred Rodrigues (PL) ao segundo turno da disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2024 irá ajudar a pré-candidatura ao Executivo estadual. 

Em 2022, Wilder desbancou o favorito Marconi e angariou a cadeira no Senado após aparecer em terceiro na maioria das pesquisas eleitorais até a véspera da eleição. Já em 2024, Fred aparecia em 4º lugar nos levantamentos eleitorais, cresceu nas vésperas da eleição e liderou em votos no primeiro turno. 

O cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Guilherme Carvalho, concorda com a avaliação de que o potencial de crescimento do nome bolsonarista em Goiás na reta final continua, apesar do momento de racha dentro do partido. 

Carvalho observa que a última pesquisa Datafolha mostrou o PL como a segunda maior força partidária do País. “13% dos eleitores votam necessariamente no candidato do PL em qualquer eleição. Esse é o eleitor partidário”, diz o cientista para a reportagem do O HOJE. 

O professor ressalta que, apesar de o PT liderar a estatística do eleitor partidário em nível nacional, o contexto em Goiás desfavorece o partido. “O PT em Goiás quase nunca bate 10% dos votos nas eleições para o Governo de Goiás.”  

“Essa pesquisa mostra que, com os devidos recortes, o eleitorado goiano tem uma consistência maior votando no candidato do bolsonarismo. O Bolsonaro dessa eleição é o Flávio, e eu acredito que o Flávio vai estar no palanque do Wilder”, ressaltou o cientista. Segundo o professor, apesar do racha na legenda, a situação deve ser resolvida até as convenções partidárias. “Depois da convenção, é todo mundo no mesmo palanque. Essas questões estão sendo resolvidas até lá”, afirma. 

Poder de crescimento

De acordo com Carvalho, Wilder em nada perdeu o poder de crescimento do bolsonarismo. O cientista explicou que o eleitor fiel, independente dos desentendimentos no partido, votará no candidato do PL pela associação ao ex-presidente. 

“Juntar um eleitorado partidário, que vai votar no PL porque entende que o PL é a mesma coisa que o Bolsonaro, ter um Bolsonaro no palanque, somado a esse poder de ativação que os Bolsonaros têm no final da campanha, o fato do racha na legenda e Wilder não ter a presença física do ex-presidente em nada prejudica essa capacidade de chegada do partido”, frisa.

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