Marconi acena ao agro, nacionaliza articulação e mira insatisfeitos
Pré-candidato ao governo, ex-governador do PSDB reforça presença no setor produtivo, busca alianças e amplia diálogo com possíveis dissidentes da base governista
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) tem intensificado, nas últimas semanas, os movimentos de pré-campanha do seu projeto político que visa o retorno do ex-chefe do Executivo estadual ao Palácio das Esmeraldas em 2027. Em uma estratégia que combina sinalizações ao setor produtivo, articulação partidária nacionalizada e abertura para quadros dissidentes da base governista, o tucano tenta reconstruir competitividade em um cenário dominado por forças ligadas ao grupo do governador e pré-candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB).
Um dos eixos mais visíveis dessa movimentação é a aproximação com o agronegócio. A presença recente de Marconi na Tecnoshow, em Rio Verde, funcionou como gesto político direcionado a um dos segmentos mais influentes do Estado. O tucano ensaia aproximação com o segmento, historicamente alinhado a candidaturas de perfil conservador.
No entorno do ex-governador, ganha força a avaliação de que a composição da chapa majoritária deve refletir essa estratégia. A possibilidade de escolha de um vice-governador com ligação direta com o agronegócio é tratada como caminho para ampliar a capilaridade eleitoral, sobretudo no interior, onde o setor exerce forte influência política e econômica.
A tentativa é para que Marconi não fique atrás de Daniel e do senador Wilder Morais (PL), também pré-candidato ao governo estadual. Isso porque, em relação ao agronegócio, o governador possui em seu padrinho político, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), principal ativo eleitoral do emedebista para dialogar com o setor. Já o senador e presidente estadual do PL aposta na adesão do agro ao bolsonarismo para conquistar o eleitorado do setor.
Ao mesmo tempo em que dialoga com o agro, a construção das alianças partidárias que devem sustentar o projeto do PSDB para o Governo de Goiás tem sido conduzida fora do eixo estadual. Conforme apurado pela reportagem do O HOJE, as tratativas com outras legendas estão concentradas na direção nacional dos tucanos, sob condução direta do presidente nacional, deputado federal Aécio Neves (MG).
Na prática, isso significa que a montagem do palanque em Goiás dialoga com interesses nacionais do partido, o que pode impactar tanto a definição de aliados quanto a própria configuração da disputa local. A leitura entre interlocutores do tucano é de que o envolvimento direto da cúpula nacional tende a dar mais peso político à pré-candidatura, mas também reduz a margem para acomodações estritamente regionais.
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Atrair lideranças da base governista
Outro vetor da estratégia de Marconi passa pela tentativa de atrair lideranças que já orbitaram a base aliada, mas que demonstram insatisfação com o atual arranjo político. A recente filiação ao PSDB do ex-secretário da gestão estadual e ex-prefeito de Formosa, Ernesto Roller, é tratada como indicativo desse movimento.
A aposta do ex-governador é a de que possíveis fissuras na base governista podem abrir espaço para a construção de uma nova frente. Apesar da ampla aprovação da gestão de Caiado e de Daniel representar a continuação da gestão do ex-governador, os tucanos dizem acreditar que existe espaço para abrigar ex-aliados que não se sentem contemplados pelo grupo palaciano.