quinta-feira, 14 de maio de 2026
Escândalo à tona

Áudio-bomba entre Flávio e Vorcaro faz eleitorado neutro ser ainda mais decisivo

“Os eleitores que estão em disputa são aqueles na linha da neutralidade, porque os petistas e bolsonaristas não vão deixar de votar em seus pré-candidatos por conta de um escândalo”, analisa especialista

Marina Moreirapor Marina Moreira em 14 de maio de 2026
Flávio
Há a avaliação de que o fato de Flávio ter feito cobranças à Vorcaro pode colaborar para a destruição da imagem do parlamentar que personifica o combate à corrupção - Créditos: Divulgação Flickr e Divulgação Banco Master

O áudio-bomba do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), enviado ao dono do banco Master, Daniel Vorcaro, é considerado uma incógnita no que tange a possibilidade de um grande impacto na polarização formada pelo bolsonarista e pelo chefe do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos na disputa pelo comando do Executivo federal.

Análises sinalizam a probabilidade de avanço do petista na corrida presidencial em decorrência do escândalo que envolve o senador e o banqueiro preso por participar de um esquema que envolveria ameaças, monitoramento ilegal e outros crimes. Uma pesquisa divulgada pela Quaest na tarde da última quarta-feira (13), apresenta uma tendência de crescimento consistente de Lula.

Flávio
Senador Flávio Bolsonaro (PL) e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos pré-candidatos ao Planalto – Créditos: Andressa Anholete/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr

Também há a avaliação de que o fato de Flávio ter feito cobranças à Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode colaborar para a decadência do senador por meio da destruição da imagem do parlamentar que personifica o combate à corrupção.

O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões, e um áudio de setembro de 2025 revela cobranças do senador do PL por mais recursos. Analistas pontuam que é inegável as contradições geradas através do áudio-bomba entre o senador e o banqueiro com afirmações que Flávio chegou a pronunciar de que não possuía relação com Vorcaro.

Com base nessa polêmica, surgem inquietações e especulações quanto ao desenrolar do caso, influência nas eleições presidenciais e risco de dispersão de votos da direita. Por outro lado, há a compreensão de que o apoio que está em jogo para além do eleitor de direita é o voto do eleitorado de centro, ou seja, que não possui uma forte identificação nem com Lula nem com Flávio.

Eleitorado fiel

A visão é que as pessoas que apoiam veemente os dois pré-candidatos, não vão se abdicar de votar nos mais cotados para a presidência por conta de escândalos que envolvam o nome de qualquer um dos mesmos.

Nesse sentido, Flávio pode perder votos de eleitores indecisos que, por algum motivo, poderiam direcionar apoio ao senador em um cenário onde a polêmica do banco Master não tivesse tornado público a proximidade do primogênito de Bolsonaro com Vorcaro.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados ao banqueiro foram usados para financiar despesas do ex-deputado e irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, onde o ex-parlamentar vive desde fevereiro de 2025.

Tais recursos teriam sido transferidos a um fundo sediado no Texas, Estado do país norte-americano, por uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações. O objetivo, como já ressaltado, era de bancar o filme “Dark Horse” (“azarão”), que trata da vida do ex-presidente Bolsonaro.

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Senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-SP) e ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) – Créditos: Wilson Dias/ABr

“É inegável que esse áudio contrasta com afirmações que Flávio fez em alguns momentos, de que não tinha relação e que desconhecia Vorcaro. Há preocupações com o desenrolar dessa primeira revelação em relação ao o que mais pode vir e é isso que pode gerar apreensões em parte da direita”, avalia o cientista político Lehninger Mota.

Votos mais disputados

Para o estudioso em política, “a grande questão é que nessa dispersão de votos, os eleitores que estão em disputa são aqueles na linha da neutralidade, que não tem uma identificação mais estreita nem com Lula nem com o Bolsonaro, porque quem tem essas ligações não muda o voto por um escândalo”.

Mota reitera que, provavelmente, o adversário de Lula deve enfrentar desafios para ganhar apoio de eleitores indecisos que em algum momento e antes do escândalo cogitaram direcionar apoio ao bolsonarista. “O risco para Flávio é perder parte dos eleitores indecisos e independentes, ou seja, aqueles que já votaram no Bolsonaro e no Lula e que estão prontos para prestarem atenção novamente nos fatos para escolherem em quem vão votar”.

Acesse também: Pistas apontam que agente da PF se oferecia para prestar serviços a grupo de Vorcaro

Lehninger destaca o avanço que Flávio obteve nas pesquisas eleitorais desde a confirmação de sua pré-candidatura ao Planalto. “Quando Flávio apresentou sua pré-candidatura, o senador chegou bem próximo dos números do Lula por ter animado parte desses eleitores independentes. É preciso aguardar os próximos capítulos para vermos o quão danoso serão essas revelações que associam Flávio com Vorcaro”, salienta o cientista político em entrevista ao O HOJE.

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