quinta-feira, 17 de setembro de 2026
ELEIÇÕES 2026

Críticas ao governo, defesa do agro e escolha de mulher para vice colocam Daniel Vilela em xeque

Marconi lança Jacqueline Zaiden e coloca Daniel Vilela na defensiva com discurso voltado ao agro

Luma Silveirapor em
Críticas ao governo, defesa do agro e escolha de mulher para vice colocam Daniel Vilela em xeque
Além da defesa do campo, Marconi afirmou que um dos principais desafios do próximo governador será enfrentar os impactos da reforma tributária sobre Goiás | Foto: Henrique Luiz

A primeira coletiva de imprensa de Marconi Perillo após oficializar Jacqueline Zaiden como candidata a vice-governadora mostrou como deve ser o tom do PSDB Goiás na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. O evento serviu para definir a estratégia política que deve nortear a campanha tucana: confrontar diretamente o governo de Daniel Vilela (MDB), disputar o eleitorado do agronegócio e ampliar o diálogo com o público feminino. A escolha de uma produtora rural com forte atuação em entidades classistas reforça justamente essa mensagem e sinaliza que o PSDB pretende transformar o agro em um dos principais campos de disputa eleitoral.

O tom da coletiva foi marcado por críticas à condução da política estadual para o setor produtivo. Marconi e Jacqueline concentraram boa parte das respostas na chamada taxa do agro, classificando a cobrança como uma medida imposta aos produtores sem diálogo com as entidades representativas. Além de prometer extinguir o tributo em um eventual governo, o tucano buscou associar a atual gestão às dificuldades enfrentadas pelo campo, citando juros elevados, queda do preço da soja, aumento dos custos de produção e falta de investimentos em infraestrutura, como energia elétrica, armazenagem e logística.

A escolha de Jacqueline também possui um simbolismo político importante. Além de ampliar a participação feminina na chapa, a produtora rural representa uma região estratégica para a economia goiana e chega com forte identificação junto ao agronegócio, setor que historicamente exerceu influência nas eleições estaduais. Ao reunir esses elementos, Marconi tenta ocupar um espaço que hoje é visto como um dos principais pilares de sustentação política do grupo governista, levando a disputa diretamente para uma base considerada favorável ao adversário.

Outro aspecto que chamou atenção foi a tentativa de construir uma narrativa de experiência administrativa. Ao longo da entrevista, Marconi relembrou ações de seus governos nas áreas de segurança pública, educação e desenvolvimento econômico, contrapondo sua gestão à atual administração estadual. O discurso buscou apresentar o ex-governador como alguém preparado para enfrentar desafios como os efeitos da reforma tributária, a renegociação das dívidas do setor rural e a perda de competitividade de Goiás, reforçando a ideia de que sua experiência seria um diferencial na disputa.

Se a convenção marcou o início formal da campanha, a coletiva deixou claro que o confronto entre situação e oposição deve passar, principalmente, pelo agronegócio. Ao escolher uma vice ligada ao setor e transformar a defesa dos produtores em eixo central de seu discurso, Marconi tenta deslocar o debate eleitoral para um terreno sensível ao governo de Daniel Vilela. Mais do que apresentar uma companheira de chapa, o tucano procurou estabelecer uma agenda de campanha capaz de tensionar um dos segmentos mais influentes da política goiana e, com isso, colocar o adversário na defensiva.

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