Críticas ao governo, defesa do agro e escolha de mulher para vice colocam Daniel Vilela em xeque
Marconi lança Jacqueline Zaiden e coloca Daniel Vilela na defensiva com discurso voltado ao agro
A primeira coletiva de imprensa de Marconi Perillo após oficializar Jacqueline Zaiden como candidata a vice-governadora mostrou como deve ser o tom do PSDB Goiás na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. O evento serviu para definir a estratégia política que deve nortear a campanha tucana: confrontar diretamente o governo de Daniel Vilela (MDB), disputar o eleitorado do agronegócio e ampliar o diálogo com o público feminino. A escolha de uma produtora rural com forte atuação em entidades classistas reforça justamente essa mensagem e sinaliza que o PSDB pretende transformar o agro em um dos principais campos de disputa eleitoral.
O tom da coletiva foi marcado por críticas à condução da política estadual para o setor produtivo. Marconi e Jacqueline concentraram boa parte das respostas na chamada taxa do agro, classificando a cobrança como uma medida imposta aos produtores sem diálogo com as entidades representativas. Além de prometer extinguir o tributo em um eventual governo, o tucano buscou associar a atual gestão às dificuldades enfrentadas pelo campo, citando juros elevados, queda do preço da soja, aumento dos custos de produção e falta de investimentos em infraestrutura, como energia elétrica, armazenagem e logística.
A escolha de Jacqueline também possui um simbolismo político importante. Além de ampliar a participação feminina na chapa, a produtora rural representa uma região estratégica para a economia goiana e chega com forte identificação junto ao agronegócio, setor que historicamente exerceu influência nas eleições estaduais. Ao reunir esses elementos, Marconi tenta ocupar um espaço que hoje é visto como um dos principais pilares de sustentação política do grupo governista, levando a disputa diretamente para uma base considerada favorável ao adversário.
Outro aspecto que chamou atenção foi a tentativa de construir uma narrativa de experiência administrativa. Ao longo da entrevista, Marconi relembrou ações de seus governos nas áreas de segurança pública, educação e desenvolvimento econômico, contrapondo sua gestão à atual administração estadual. O discurso buscou apresentar o ex-governador como alguém preparado para enfrentar desafios como os efeitos da reforma tributária, a renegociação das dívidas do setor rural e a perda de competitividade de Goiás, reforçando a ideia de que sua experiência seria um diferencial na disputa.
Se a convenção marcou o início formal da campanha, a coletiva deixou claro que o confronto entre situação e oposição deve passar, principalmente, pelo agronegócio. Ao escolher uma vice ligada ao setor e transformar a defesa dos produtores em eixo central de seu discurso, Marconi tenta deslocar o debate eleitoral para um terreno sensível ao governo de Daniel Vilela. Mais do que apresentar uma companheira de chapa, o tucano procurou estabelecer uma agenda de campanha capaz de tensionar um dos segmentos mais influentes da política goiana e, com isso, colocar o adversário na defensiva.
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