Goiás amplia presença no e-commerce e se consolida como HUB logístico no País
Parceria com gigante chinesa, geração de empregos e simplificação tributária reforçam papel de Goiás na logística nacional e atraem novos investimentos
A expansão do comércio eletrônico em Goiás tem ganhado força e passou a ocupar papel central na estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. Esse movimento se consolida com a ampliação da parceria entre o Governo de Goiás e a Shopee, que escolheu o território goiano como ponto para suas operações logísticas no Brasil, com o primeiro centro de distribuição da empresa no País sendo instalado no Estado. A iniciativa reúne eficiência logística, geração de empregos e modernização do ambiente tributário, criando um cenário mais competitivo para o setor.
A presença da empresa no Estado, iniciada em 2024, avança com a ampliação da estrutura física e o fortalecimento do modelo de fulfillment, no qual a plataforma assume etapas como armazenamento, separação e envio dos produtos vendidos. Essa estratégia reduz prazos de entrega, melhora a experiência do consumidor e amplia o alcance das operações.
Segundo a head de relações governamentais da empresa, Luciana Hachmann, “essa estratégia de distribuição está alinhada ao nosso plano nacional de aprimoramento logístico, para que as entregas cheguem rapidamente ao consumidor”.
O protagonismo de Goiás nesse cenário tem base estrutural. De acordo com o economista Luiz Carlos Ongaratto, o Estado já é referência logística há décadas. “Já há algumas décadas o Estado de Goiás tem sido referência como polo logístico para a região Centro-Oeste”, afirma.
Ele aponta que a localização da Região Metropolitana de Goiânia, com fácil acesso rodoviário, é um dos fatores que explicam essa atratividade. Além disso, destaca o papel de cidades como Anápolis, que se especializaram em serviços logísticos, com estruturas como porto seco e integração ferroviária, ampliando a capacidade de distribuição e escoamento de mercadorias.
Impacto para a economia
A expansão também deve impactar o mercado de trabalho. A expectativa é de geração de cerca de 3 mil empregos em cinco anos, considerando efeitos diretos e indiretos na cadeia produtiva. O governador Daniel Vilela ressalta que há uma “cadeia de geração de empregos” envolvendo fornecedores, prestadores de serviço e empreendedores que passam a utilizar essas plataformas digitais para ampliar seus negócios.
Paralelamente, o governo estadual adotou medidas para simplificar o ambiente tributário do e-commerce. A alteração no Decreto nº 4.852/1997 tornou facultativa a inscrição estadual para vendedores de outros Estados que utilizam centros de distribuição em Goiás, reduzindo custos operacionais e obrigações burocráticas, especialmente para pequenos e médios empreendedores.
Na avaliação de Ongaratto, a medida é pontual, mas alinhada a uma tendência mais ampla de adaptação às novas dinâmicas econômicas. “A simplificação foi apenas sobre a venda de mercadorias de fornecedores de outros Estados que vão armazenar seus produtos no armazém de empresas como a Shopee”, explica.
Para ele, trata-se de “uma medida simples para desburocratizar o negócio”, já adotada em outras unidades da federação. “É uma tendência de modernização das leis para atender às novas necessidades da economia”, completa.
A secretária da Economia, Renata Noleto, também destaca que a mudança “quebra burocracia, destrava o setor e ainda atrai vendedores de outros Estados”. Segundo ela, não há renúncia fiscal. “A gente apenas traz simplificação e racionalização para essa operação de comércio”, afirma
A arrecadação do ICMS é mantida porque não houve alteração nas regras de partilha do imposto nas operações interestaduais. Goiás continua recebendo o Diferencial de Alíquota, o que garante equilíbrio fiscal mesmo com a flexibilização das exigências e a ampliação das operações logísticas.
O conjunto de medidas indica uma mudança mais ampla no papel de Goiás no comércio eletrônico nacional. Ao combinar investimentos privados, infraestrutura logística consolidada e ajustes institucionais, o Estado se posiciona como um hub logístico capaz de conectar diferentes regiões e atrair novos negócios.
Leia também:
Em entrevista ao O Hoje, Zema propõe “triagem técnica” para novos indicados ao STF