terça-feira, 20 de outubro de 2026
VÔO SUSPEITO

PF investiga voo de parlamentares saído de paraíso fiscal; caso vai ao STF

Hugo Motta, Ciro Nogueira e outros dois deputados estavam em aeronave de empresário investigado na CPI das Bets; bagagens passaram fora do raio-X

Luana Avelarpor em
STF
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Crédito: Marina Ramos/Camara dos Deputados

O que começou como uma investigação sobre um auditor fiscal corrupto acabou revelando um voo suspeito com quatro dos principais nomes do Congresso Nacional. A Polícia Federal identificou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL) estavam em uma aeronave particular de Fernando Oliveira Lima, empresário do setor de apostas online investigado na CPI das Bets. O caso foi remetido ao STF.

O voo partiu de Saint Martin, ilha caribenha conhecida como paraíso fiscal, e pousou em abril de 2025 no aeroporto de Catarina, em São Roque (SP). A viagem ocorreu enquanto a CPI das Bets ainda estava ativa no Senado, com Ciro Nogueira entre os participantes.

Leia mais: Motta define presidente e relator da PEC sobre fim da escala 6×1

A irregularidade

A suspeita não veio do voo em si, mas do que aconteceu no desembarque. O auditor fiscal Marco Canella, já indiciado em outro inquérito por facilitação de contrabando, permitiu que sete volumes de bagagem fossem retirados do aeroporto sem passar pelo raio-X. As câmeras de segurança registraram tudo.

Os parlamentares passaram pelo procedimento normal de inspeção. Mas a PF não conseguiu determinar a quem pertenciam as malas que contornaram o equipamento, o que mantém a dúvida sobre o conteúdo e os donos dos volumes.

“Considerando que, caso as investigações tenham continuidade e indiquem que, além da conduta do Auditor Fiscal Marco Antônio Canella, haja outras condutas ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas no item 9 supra tenham envolvimento, os autos devem tramitar pela CINQ/CGRC/DICOR/PF, e o Processo junto ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual, salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário”, diz o despacho.

Por que foi ao STF

A presença de parlamentares no voo criou um obstáculo jurídico para a continuidade das investigações na PF. Como deputados e senadores têm foro privilegiado no STF, a corporação entendeu que seria arriscado avançar sem que o Judiciário se posicionasse primeiro sobre a situação.

O inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República. A PGR deve avaliar se há indícios suficientes para abrir investigação formal no Supremo. Nenhum dos parlamentares se manifestou. Lima também não respondeu aos contatos da imprensa.

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