quinta-feira, 30 de abril de 2026
DESMATAMENTO

Brasil lidera redução global da destruição de florestas, aponta relatório

Queda registrada em 2025 ajudou a frear o avanço da devastação tropical no planeta, mas perda de áreas nativas ainda permanece acima da meta global de 2030

Thais Munizpor Thais Muniz em 30 de abril de 2026
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Amazônia - Brasil

Depois de um 2024 marcado pelo maior nível de destruição já registrado nas florestas tropicais primárias, 2025 apresentou uma desaceleração significativa no ritmo de perda dessas áreas, impulsionada principalmente pelo Brasil. Dados divulgados pelo Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI) com base em monitoramento da Universidade de Maryland, mostram que o planeta perdeu 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais virgens no ano passado — uma redução de 36% em relação aos 6,7 milhões de hectares devastados no ano anterior.

Mesmo com a queda, a dimensão da perda continua elevada: o equivalente a 11 campos de futebol de mata nativa desapareceu por minuto ao longo de 2025. O relatório também registra que o índice global ainda permanece 70% acima do necessário para cumprir a meta internacional de interromper e reverter o desmatamento até 2030.

Brasil lidera redução, mas segue no topo das perdas absolutas

O principal fator por trás da melhora global foi o desempenho brasileiro. Segundo o levantamento, o país reduziu em cerca de 42% a perda de floresta primária em relação a 2024, alcançando o menor nível já registrado para desmatamento não relacionado a incêndios. A mudança ocorreu em meio ao fortalecimento da fiscalização ambiental, retomada de políticas de combate ao desmatamento e aplicação mais rígida de sanções.

Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, classificou a redução como “animadora” e afirmou que a queda demonstra que ações governamentais podem produzir impacto mensurável. Ainda assim, o Brasil continuou como o país com maior perda absoluta de floresta tropical primária em 2025, reflexo da dimensão territorial da Amazônia e das pressões persistentes sobre o bioma.

A desaceleração também ocorreu após a seca severa de 2024, quando eventos climáticos extremos ampliaram incêndios e agravaram a vulnerabilidade da floresta, especialmente na Amazônia.

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Fogo e expansão agrícola mantêm ameaça global

Apesar da retração nos números gerais, a pressão estrutural sobre as florestas permanece. A expansão agrícola continuou como principal motor da destruição em regiões tropicais, especialmente ligada à abertura de áreas para commodities como soja e pecuária. Paralelamente, os incêndios responderam por 42% da perda global de cobertura arbórea em 2025.

Nos últimos anos, o fogo ganhou peso crescente como vetor de degradação, impulsionado por secas mais intensas e temperaturas elevadas. O relatório destaca que, nos trópicos, incêndios consumiram nos últimos três anos mais que o dobro da área observada no início dos anos 2000. Fora das regiões tropicais, países como Canadá também enfrentaram temporadas severas de queimadas.

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