PT faz contas e avalia destino de Adriana Accorsi entre governo e Câmara
Partido pesa estratégia eleitoral em Goiás e risco de perder vaga no Congresso ao definir papel da petista em 2026
Bruno Goulart
A indefinição do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a candidatura ao Governo de Goiás em 2026 passa, hoje, por um cálculo político direto: lançar a presidente estadual do partido, deputada federal Adriana Accorsi, ao Palácio das Esmeraldas ou mantê-la na disputa pela Câmara dos Deputados.
O dilema não é simples. De um lado, a candidatura de Adriana ao governo garantiria um palanque mais estruturado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um Estado considerado difícil para a esquerda. De outro, sua saída da disputa proporcional pode reduzir a representação do partido em Brasília.
Nomes
Atualmente, três nomes estão colocados internamente para a disputa ao governo: o do jornalista Cláudio Curado, do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e do advogado Valério Luiz Filho. No entanto, a avaliação da cúpula nacional é de que nenhum deles tem, neste momento, força suficiente para montar um palanque competitivo em Goiás.
Por isso, o nome de Adriana aparece como alternativa mais viável politicamente. Mesmo assim, conforme apurado, a própria deputada tem preferência por disputar a reeleição para a Câmara, onde já possui base eleitoral consolidada e desempenho consistente.
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Nos bastidores, o principal temor do PT é perder uma vaga de deputado federal. Sem Adriana na nominata, a tendência é que apenas o deputado federal Rubens Otoni consiga se eleger. Isso porque faltaria outro nome com capacidade de puxar votos. Hoje, a meta do partido é manter sua média histórica de dois deputados federais eleitos no Estado.
Sem chances
A análise do mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé reforça essa preocupação. “Adriana, como candidata ao Governo do Estado, hoje não tem chances de chegar ao segundo turno. Então, ela iria mais para um sacrifício político do que para uma disputa real”, afirmou ao O HOJE.
Segundo Zancopé, nesse cenário, a candidatura teria um papel mais estratégico do que competitivo. “Ela serviria para garantir um palanque para o Lula. Goiás tem um eleitorado majoritariamente de direita, e isso é comprovado por pesquisas”, aponta.
Por outro lado, o historiador avalia que a deputada tem maior potencial na eleição proporcional. “Como candidata à Câmara, Adriana pode ser puxadora de votos e ajudar a eleger mais um nome. Isso mantém o partido competitivo em Brasília”, pondera.
Além disso, o PT conta com um eleitorado fiel em Goiás, formado por servidores públicos, suas famílias e simpatizantes do partido. Esse grupo costuma assegurar uma base relevante de votos nas eleições proporcionais, o que reforça a estratégia de manter nomes fortes nessa disputa.
Enquanto a decisão não é tomada, outras alternativas seguem em discussão. Uma delas é a possibilidade de composição com a vereadora Aava Santiago, presidente do PSB Goiás, que aparece como opção para uma frente mais ampla. Ainda assim, não há definição.
Direita x direita
O cenário político estadual também pesa nos cálculos. A avaliação predominante é de que a disputa pelo governo deve ficar concentrada entre candidatos da direita e da centro-direita, o que reduziria o espaço para o PT na corrida rumo ao Palácio das Esmeraldas. Nesse contexto, lançar uma candidatura própria pode ter mais valor simbólico do que eleitoral.
Diante disso, o partido se divide entre dois caminhos: apostar em uma candidatura ao governo para marcar posição e fortalecer o palanque nacional, com foco na reeleição do presidente Lula, ou priorizar a Câmara dos Deputados e garantir representação política nos próximos anos, com possibilidade de aumentar o número de cadeiras, de duas para três. (Especial para O HOJE)