Bancada do PT cobra plano do GDF para salvar BRB após reunião no Ministério da Fazenda
Parlamentares se reuniram com equipe econômica do governo federal para discutir capitalização do banco e demonstraram preocupação com possível ajuste fiscal no DF
O futuro do Banco de Brasília (BRB) foi tema de uma reunião realizada nesta quarta-feira (27) entre integrantes da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) no Distrito Federal e representantes do Ministério da Fazenda. O encontro discutiu medidas emergenciais para evitar um agravamento da crise financeira enfrentada pela instituição, que sofre pressão do mercado e do Banco Central.
A principal sinalização do governo federal foi a flexibilização temporária das regras fiscais do Distrito Federal para permitir que o Governo do DF amplie sua capacidade de endividamento e viabilize operações de crédito voltadas ao fortalecimento do BRB.
Segundo parlamentares que participaram da reunião, a União não fará aporte direto de recursos no banco, mas abriu caminho para que a instituição consiga captar empréstimos bilionários junto a grandes bancos públicos e privados.
Participaram do encontro a deputada federal Erika Kokay e os deputados distritais Gabriel Magno, Chico Vigilante e Ricardo Vale, todos do PT. A reunião foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.
De acordo com os parlamentares, a operação em construção pode ultrapassar R$ 6 bilhões e envolver instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e bancos privados. A proposta ainda depende de alinhamentos finais que devem ser discutidos em reunião prevista no Supremo Tribunal Federal (STF).
“O governo Lula impediu a quebra do BRB. Não colocou dinheiro diretamente, mas viabilizou a possibilidade de empréstimos com grandes bancos. Agora, o GDF precisa apresentar como pretende capitalizar entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões”, afirmou o deputado distrital Gabriel Magno.
A deputada Erika Kokay afirmou que a crise financeira do BRB foi provocada por decisões tomadas pelo Governo do Distrito Federal e ressaltou que a atuação da União foi decisiva para impedir um colapso institucional.
“Foi uma crise criada pelo Governo do Distrito Federal. A União atuou para preservar um banco estratégico para Brasília e para a população do DF”, declarou.
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Apesar do avanço nas negociações, os parlamentares demonstraram preocupação com a contrapartida que deverá ser apresentada pelo Palácio do Buriti. O governo local trabalha na elaboração de um plano de ajuste fiscal para atender às exigências relacionadas à recuperação financeira do banco. A bancada petista teme que o pacote venha acompanhado de cortes orçamentários considerados severos, com impacto sobre serviços públicos, investimentos sociais e despesas do funcionalismo.
“Vamos fiscalizar para que a população mais pobre não seja obrigada a pagar essa conta”, disse Gabriel Magno.
Nos bastidores, integrantes do PT afirmam que acompanharão de perto a formulação do plano econômico e as futuras auditorias relacionadas à operação de socorro ao BRB.
A crise envolvendo o banco público se intensificou após problemas relacionados a ativos ligados ao Banco Master e dificuldades para atender exigências de capital impostas pelo Banco Central. Além disso, a instituição acumula pressão pela falta de divulgação de balanços financeiros recentes.
Mesmo diante do cenário de instabilidade, parlamentares e integrantes do governo federal têm defendido a manutenção do BRB como banco público regional e estratégico para a economia do Distrito Federal. A expectativa é que a operação construída com apoio da União dê ao GDF tempo para reorganizar as finanças do banco e recuperar a confiança do mercado sem recorrer à privatização da instituição.