Pedrosa denuncia atraso do INSS e diz que mães de crianças autistas vivem fome e risco de despejo no DF
Deputado denuncia demora na concessão de benefícios, critica burocracia do sistema e relata casos de despejo, fome e endividamento enfrentados por mães solo no DF
O deputado distrital Eduardo Pedrosa (UNIÃO) fez um duro pronunciamento na tribuna da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) ao denunciar as dificuldades enfrentadas por famílias de crianças autistas que dependem de benefícios do INSS para sobreviver. Durante a fala, o parlamentar criticou a burocracia do sistema previdenciário e afirmou que mães solo estão sendo “abandonadas” enquanto aguardam, por meses, a análise dos pedidos.
Pedrosa questionou como uma família consegue sobreviver com cerca de R$ 1,6 mil mensais diante dos altos custos envolvendo terapias, medicamentos, alimentação, consultas médicas e moradia. “Em que mundo vive uma pessoa que acredita que uma mãe consegue criar um filho com R$ 1.600, sendo uma criança autista, que precisa de cuidados, terapias e atenção constante?”, afirmou o deputado durante o discurso.
O parlamentar relatou acompanhar de perto a situação dessas famílias e descreveu cenários de extrema vulnerabilidade. Segundo Pedrosa, muitas mães acabam despejadas por não conseguirem pagar aluguel enquanto esperam a perícia e a liberação do benefício pelo INSS. Para ele, a demora na análise dos processos cria um ciclo de pobreza e instabilidade.
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“Quando o benefício finalmente sai, muitas vezes a família já perdeu a casa, acumulou dívidas e não consegue mais reorganizar a vida”, afirmou.
O parlamentar também criticou o que classificou como uma contradição do modelo atual. Muitas mães deixam de buscar emprego formal por medo de perder o direito ao benefício, enquanto outras acabam recorrendo à informalidade para sobreviver. “O sistema acaba aprisionando essas mulheres. Elas não conseguem trabalhar porque precisam cuidar dos filhos, mas também enfrentam enormes barreiras para acessar o benefício.”
Durante o pronunciamento, Pedrosa também defendeu que o tema seja tratado como prioridade tanto no Distrito Federal quanto no Congresso Nacional e no Governo Federal. Segundo ele, a discussão ultrapassa disputas ideológicas e envolve dignidade humana. “Não existe lado político quando estamos falando de mães desesperadas tentando garantir o básico para os filhos.”
O parlamentar também reforçou a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas às famílias atípicas, incluindo acesso a terapias, atendimento especializado e programas de suporte financeiro e habitacional. Ele citou ainda propostas já apresentadas na CLDF para ampliar mecanismos de proteção social, como iniciativas relacionadas ao aluguel social.
Ao encerrar o discurso, Pedrosa afirmou que continuará cobrando mudanças no sistema e maior sensibilidade do poder público diante da realidade enfrentada pelas famílias. “Eu não vou parar de falar sobre isso até que essas mães sejam ouvidas”, concluiu.