PF vê ‘alinhamento’ entre Castro e Vorcaro em aportes do Rioprevidência ao Master
Autoridades cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador do Rio de Janeiro
A Polícia Federal (PF) apontou que o “vínculo próximo” e o “alinhamento político” do ex-governador Cláudio Castro (PL) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro possibilitaram os aportes do fundo de previdência de servidores do Rio de Janeiro, o Rioprevidência. Na manhã desta terça-feira (26), a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador carioca.
A busca e apreensão fez parte da nova fase da Operação Barco de Papel. Além da casa de Castro, a PF cumpriu mandados em outros 10 endereços, no Rio e em Brasília. Entre os endereços está o do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso desde fevereiro. A primeira etapa das investigações identificou aportes suspeitos ao Master que somam R$ 970 milhões.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita de proximidade entre Castro e Vorcaro surgiu a partir da análise dos materiais dos celulares apreendidos do dono do Banco Master.
“A atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência”, diz Mendonça na decisão.
O ministro ainda alega que o ex-governador do Rio de Janeiro “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”. “A representação aponta sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), além de conversas encontradas no celular de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”, afirma o magistrado.
Para Mendonça, a sincronia entre os encontros de Vorcaro e Castro e os aportes do Rioprevidência no Master são indícios de uma possível interferência política ilegal no processo. O ministro ainda cita que os repasses teriam acontecido com ausência de etapas técnicas.
“Soma-se a isso a referência à alteração da composição da gestão do Rioprevidência em período imediatamente anterior ao início da série de investimentos e à descrição de eventos e encontros custeados ou organizados por Vorcaro em contexto de proximidade pessoal com o ex-governador”, destaca Mendonça em outro trecho do documento.
A decisão do magistrado ainda ressalta que a relação estreita entre Castro e Vorcaro contribuiu para a nomeação de cargos de alto escalão no Rioprevidência, além da liberação de investimentos do fundo previdenciário.