Cláudio Castro vira alvo da PF em investigação sobre R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master
Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades em investimentos do fundo previdenciário do Rio em aplicações ligadas ao Banco Master; agentes cumpriram mandados no RJ e em Brasília
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros envolvendo recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência. Entre os alvos da operação está o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que teve a residência alvo de mandado de busca e apreensão na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.
Ao todo, os agentes federais cumpriram dez mandados expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Rio de Janeiro e em Brasília. Segundo a investigação, os aportes sob suspeita somam cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência para aplicações ligadas ao Banco Master entre 2023 e 2024.
De acordo com a PF, a atual etapa da operação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, iniciada em janeiro deste ano, quando foram identificados investimentos considerados suspeitos de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras de um banco privado. Agora, os investigadores analisam novas aplicações que teriam alcançado R$ 2,01 bilhões a partir de julho de 2024.
Na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de alto padrão na Península, os agentes permaneceram por cerca de três horas e apreenderam dois celulares. A defesa do ex-governador afirmou que ele acompanhou a ação “com serenidade”.
“Cláudio Castro está tranquilo e colaborando com as autoridades”, declarou o advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa do ex-governador.
Essa é a segunda vez em menos de 15 dias que Castro é alvo de buscas da Polícia Federal. No último dia 15 de maio, agentes estiveram em sua residência durante a Operação Sem Refino, que investiga supostas fraudes fiscais envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos.
As investigações também atingem o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso em fevereiro durante uma ação conjunta da PF e da Polícia Rodoviária Federal no Sul Fluminense. Nesta terça-feira, policiais voltaram a cumprir mandados em um endereço ligado a ele, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
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A Polícia Federal apura indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e concessão irregular de créditos relacionados ao Banco Master. O banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal nome do conglomerado financeiro investigado, está preso em Brasília.
O caso também repercute na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Parlamentares da oposição articulam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos feitos pelo Rioprevidência no Banco Master. Segundo dados apresentados na Casa, os aportes do fundo previdenciário podem ter ocorrido mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que teria recomendado a suspensão de novos investimentos.
O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), um dos defensores da CPI, afirmou que o objetivo é esclarecer a destinação dos recursos públicos.
“Precisamos entender como bilhões do fundo dos aposentados foram direcionados para operações que hoje estão sob suspeita”, disse o parlamentar.
A PF informou ainda que os valores identificados pela investigação superam os números inicialmente apontados pelo Tribunal de Contas do Estado. Enquanto o TCE estimava movimentações próximas de R$ 1,6 bilhão, os investigadores federais apontam que os investimentos podem ter ultrapassado R$ 3 bilhões.