quarta-feira, 27 de maio de 2026
ESCALA 6x1

PL muda posição e anuncia apoio ao fim da escala 6×1 em movimento que pressiona governo Lula

Partido de Jair Bolsonaro quer votação de proposta mais ampla, com jornada 4×3 e 36 horas semanais, colocando PT em possível desgaste político no Congresso

Luma Silveirapor Luma Silveira em 27 de maio de 2026
PL
Deputado Sóstenes Cavalcante anuncia mudança de posição do PL e apoio ao fim da escala 6x1 durante pronunciamento no plenário da Câmara dos Deputados - Foto: Reprodução

Após forte pressão nas redes sociais e avanço do debate sobre redução da jornada de trabalho no país, o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (26) apoio ao fim da escala 6×1. A sigla, no entanto, decidiu adotar uma estratégia própria no Congresso e pretende defender a votação de um texto alternativo ao que vinha sendo negociado entre o governo Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O anúncio foi feito no plenário da Câmara pelo líder do partido, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Segundo ele, a bancada bolsonarista apresentará um destaque de preferência para tentar priorizar a votação da proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que estabelece jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso.

“Somos favoráveis a que o trabalhador trabalhe menos, fique mais em casa e tenha mais tempo com a família”, declarou Sóstenes durante o pronunciamento.

Estratégia coloca governo em situação delicada

A movimentação do PL altera o cenário político da votação e pode criar dificuldades para o governo federal. Isso porque a proposta defendida pela oposição prevê regras mais amplas do que o texto articulado pelo Palácio do Planalto.

A PEC apresentada por Erika Hilton estabelece jornada semanal de 36 horas, com escala 4×3 e implementação após um ano da promulgação. Já a proposta negociada pelo governo Lula com Hugo Motta prevê escala 5×2, dois dias de descanso e carga horária semanal de 40 horas, além de uma transição gradual de 14 meses.

Na prática, caso o destaque do PL seja aprovado, a proposta do governo perde validade automaticamente.

Parlamentares ligados ao Planalto avaliam que a estratégia bolsonarista tenta criar desgaste político para o PT. Isso porque, para manter o acordo costurado pelo governo, deputados governistas poderiam acabar votando contra um texto considerado mais favorável aos trabalhadores.

Bastidores indicam preocupação no Planalto

Nos bastidores, integrantes do governo já admitem preocupação com o clima da votação. A avaliação é de que a sessão pode ser marcada por forte disputa política e tentativas de obstrução, especialmente diante da repercussão popular do tema.

A proposta de redução da jornada de trabalho é considerada uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo Lula para o período eleitoral deste ano.

Apesar disso, parlamentares governistas acreditam que Hugo Motta deve atuar para manter o acordo fechado com o Planalto e evitar que a articulação do PL avance no plenário.

A expectativa é que a proposta seja analisada primeiro na Comissão Especial nesta quarta-feira (27), antes de seguir para votação no plenário da Câmara, prevista entre quarta e quinta-feira.

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