segunda-feira, 22 de junho de 2026
DIREITO E FAMÍLIA

Genro ou nora podem herdar bens da família? Entenda o que diz a lei sobre herança e casamento

Regime de bens e cláusulas em testamento são fatores decisivos; cônjuge não é herdeiro necessário, mas pode ser beneficiado em situações específicas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 29 de maio de 2026
bens

A dúvida aparece em muitas famílias brasileiras: depois que o filho ou a filha se casa, o cônjuge passa a ter direito sobre a herança deixada pelos sogros? A resposta, segundo especialistas em Direito Sucessório, é que, em regra, não. Mas o regime de bens adotado pelo casal e a existência de cláusulas específicas em testamentos podem mudar esse cenário.

O Código Civil Brasileiro não inclui genros e noras entre os herdeiros necessários. Essa lista se restringe a filhos, cônjuges e ascendentes. “O genro e a nora não entram automaticamente nessa divisão da herança. Por isso, muitas pessoas acreditam que os bens estarão sempre protegidos dentro da família, mas existem situações que podem gerar efeitos patrimoniais para o cônjuge do herdeiro”, explica Bruno Quintiliano, tabelião e presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Goiás (Anoreg/GO).

Quando o regime de bens muda tudo

Um dos principais fatores que influenciam essa questão é o regime de bens escolhido no casamento. Na comunhão universal, praticamente todo o patrimônio passa a pertencer ao casal, o que inclui heranças recebidas durante o casamento.

“Na comunhão universal, praticamente todos os bens passam a pertencer ao casal. Isso significa que a herança recebida pelo filho ou filha pode gerar direito à meação para o cônjuge. Ou seja, em eventual separação ou falecimento, o genro ou a nora poderá ter direito à metade daquele patrimônio”, afirma Quintiliano.

A meação, esclarece o especialista, não transforma o genro ou a nora em herdeiro, mas garante participação patrimonial sobre os bens compartilhados no casamento.

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Como proteger o patrimônio familiar

Existe um mecanismo legal para blindar o patrimônio familiar dessas situações: a cláusula de incomunicabilidade, que pode ser inserida em testamentos. “A cláusula de incomunicabilidade impede que os bens herdados se misturem ao patrimônio do casal, independentemente do regime de bens escolhido no casamento. É uma ferramenta importante para quem deseja garantir que determinado patrimônio permaneça exclusivamente com os descendentes diretos”, ressalta.

Segundo o tabelião, o uso desse instrumento cresce no planejamento sucessório justamente para evitar disputas e preservar patrimônios construídos ao longo de gerações.

Casos excepcionais

Situações de dependência econômica comprovada também podem abrir espaço para discussões judiciais. “Existem situações muito específicas em que o genro ou a nora podem buscar reconhecimento judicial de algum direito patrimonial, especialmente quando há dependência financeira. Mas são casos excepcionais, que precisam ser analisados individualmente por um profissional especializado em Direito das Sucessões”, pontua.

“Cada família possui uma realidade patrimonial diferente. Por isso, o ideal é buscar orientação de um profissional para entender qual instrumento jurídico atende melhor cada caso, seja por meio de testamento, doação com cláusulas específicas ou definição adequada do regime de bens”, conclui Quintiliano.

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