sexta-feira, 26 de junho de 2026
PLANEJAMENTO APOSENTADORIA

O erro comum no planejamento da aposentadoria, segundo especialistas

Descubra por que o planejamento da aposentadoria falha para muitas pessoas e veja o que estudos apontam para evitar esse problema

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 5 de junho de 2026
Como fazer um bom planejamento da aposentadoria
Existe um erro que quase todo mundo comete na hora de fazer o planejamento da aposentadoria.(Foto: gazetadopovo.com.br)

O planejamento da aposentadoria costuma entrar na vida das pessoas quando a idade começa a avançar ou quando surge a preocupação com o futuro financeiro. O problema é que especialistas da área apontam que existe um erro que aparece com frequência entre trabalhadores de diferentes faixas de renda e idade. Esse equívoco pode reduzir a segurança financeira na fase em que a renda do trabalho deixa de ser a principal fonte de sustento.

O tema ganhou destaque nos últimos anos porque a expectativa de vida aumentou, enquanto muitas famílias ainda encontram dificuldade para criar uma reserva financeira de longo prazo. Ao mesmo tempo, pesquisas mostram que grande parte da população acredita que conseguirá resolver a questão mais adiante, deixando decisões importantes para depois.

Quem acompanha estudos sobre comportamento financeiro observa um padrão que se repete: muitas pessoas até pensam na aposentadoria, mas poucas transformam essa preocupação em um plano concreto. E é justamente nesse ponto que mora o principal risco apontado por especialistas.

Entender qual é esse erro, por que ele acontece e como evitar suas consequências pode fazer diferença para quem deseja construir um futuro financeiro mais previsível. Confira.

Planejamento da aposentadoria: o erro que mais preocupa especialistas

Entre os diversos equívocos observados por planejadores financeiros, o mais citado é simples: deixar para começar o planejamento da aposentadoria tarde demais. Especialistas apontam que muitas pessoas acreditam que ainda existe muito tempo disponível e acabam adiando a criação de uma estratégia financeira.

O problema dessa decisão aparece quando se faz uma conta básica. Quanto mais cedo alguém inicia uma reserva para o futuro, maior tende a ser o efeito dos rendimentos acumulados ao longo dos anos. Quando o início acontece perto da aposentadoria, o esforço financeiro necessário costuma ser maior para alcançar o mesmo objetivo.

Os números ajudam a mostrar a dimensão do cenário. A pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, revelou que apenas 19% dos brasileiros não aposentados já começaram uma reserva financeira voltada para essa fase da vida. A pesquisa também mostrou que 58% pretendem poupar no futuro, mas ainda não deram o primeiro passo.

Quando se observa esse comportamento, fica mais fácil entender por que especialistas tratam o assunto com atenção. E alguns sinais ajudam a identificar quando o planejamento da aposentadoria está ficando para depois:

  • A pessoa acredita que começará a guardar dinheiro nos próximos anos.
  • Não existe uma meta financeira para a aposentadoria.
  • Não há acompanhamento da evolução da reserva.
  • O futuro financeiro depende apenas do benefício público.

Esses pontos mostram como o adiamento pode criar dificuldades que aparecem apenas muitos anos depois.

Como a falta de preparo afeta a renda no futuro

Quando o planejamento da aposentadoria não recebe atenção durante a vida profissional, o impacto costuma aparecer na renda disponível após a saída do mercado de trabalho. Isso acontece porque muitas despesas permanecem presentes, enquanto a fonte de renda pode diminuir.

Pesquisas da ANBIMA indicam que cerca de 90% dos aposentados brasileiros dependem da previdência pública para o próprio sustento. O dado mostra a importância do benefício, mas também evidencia a dependência de uma única fonte de renda para grande parte da população.

Outro levantamento da entidade apontou que apenas dois em cada dez brasileiros afirmavam se preparar financeiramente para a aposentadoria. O resultado desse cenário aparece quando chega o momento de trocar a renda do trabalho pela renda da aposentadoria. Por isso, especialistas costumam destacar alguns pontos que merecem atenção dentro do planejamento da aposentadoria:

  • Estimar quanto será necessário por mês.
  • Considerar despesas com saúde.
  • Avaliar possíveis mudanças no padrão de vida.
  • Construir fontes complementares de renda.

Esses cuidados ajudam a reduzir a distância entre a renda desejada e a renda disponível no futuro.

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Pensar no futuro é coisa séria. (Foto: acionando.com.br)

Erros no planejamento da aposentadoria: subestimar quanto tempo a reserva precisará durar

Outro erro citado por especialistas aparece quando as pessoas calculam a aposentadoria considerando um período menor do que a realidade. Em outras palavras, muitas pessoas não levam em conta o aumento da longevidade.

Esse comportamento tem recebido atenção em estudos internacionais. Um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial apontou que aposentados podem viver entre oito e quase vinte anos além do período coberto por suas economias em alguns países analisados.

O tema também aparece em estudos sobre educação financeira. Pesquisas mencionadas pelo TIAA Institute mostram que muitas pessoas têm dificuldade para estimar corretamente a expectativa de vida após os 65 anos, o que influencia diretamente o planejamento da aposentadoria.

Quando a reserva é planejada para durar menos tempo do que o necessário, surgem riscos que merecem atenção. Entre eles estão:

  • Redução do patrimônio durante a aposentadoria.
  • Necessidade de voltar ao mercado de trabalho.
  • Dificuldade para lidar com gastos médicos.
  • Queda da renda ao longo dos anos.

Por esse motivo, especialistas defendem que o planejamento da aposentadoria deve considerar cenários mais amplos e não apenas uma estimativa baseada na idade de saída do trabalho.

Planejar a aposentadoria cedo faz diferença nos resultados

O debate sobre o planejamento da aposentadoria não está ligado apenas ao valor guardado, mas também ao tempo disponível para construir essa reserva. Essa é uma das razões pelas quais especialistas insistem na importância de começar cedo.

Quando existe mais tempo pela frente, os aportes podem ser distribuídos ao longo de vários anos. Isso reduz a necessidade de contribuições mais altas em etapas posteriores da vida profissional.

Além disso, iniciar cedo permite fazer ajustes ao longo do caminho. Mudanças na renda, nascimento de filhos, troca de emprego ou alterações nos objetivos podem ser incorporadas ao planejamento da aposentadoria sem a pressão causada pela proximidade da aposentadoria.

Especialistas costumam destacar algumas ações que ajudam nesse processo:

  • Definir uma meta financeira.
  • Revisar o plano regularmente.
  • Ajustar contribuições conforme a renda cresce.
  • Diversificar as fontes de renda futura.

Essas medidas não garantem resultados específicos, mas ajudam a criar uma estrutura mais consistente para enfrentar mudanças econômicas e pessoais ao longo do tempo.

Com um bom planejamento, o valor da aposentadoria pode ser maior. (Foto: dsaadvogados.adv.br)

Estratégias apontadas por especialistas para evitar esse erro

Depois de identificar o principal problema, surge a pergunta que muitas pessoas fazem: o que pode ser feito para evitar esse erro no planejamento da aposentadoria?

A resposta mais comum entre especialistas passa pela criação de um plano baseado em números reais. Isso significa calcular gastos atuais, estimar despesas futuras e acompanhar a evolução da reserva ao longo do tempo.

Outro ponto importante é evitar depender apenas de expectativas. Um estudo do Allianz Center for the Future of Retirement mostrou que 42% dos trabalhadores analisados se aposentaram antes do que haviam planejado, muitas vezes por questões de saúde, mercado de trabalho ou responsabilidades familiares.

Esse dado reforça a necessidade de construir planos flexíveis. Afinal, a vida nem sempre segue exatamente o roteiro imaginado décadas antes. Especialistas costumam recomendar algumas práticas para fortalecer o planejamento na hora de se aposentar:

  • Criar uma reserva específica para o futuro.
  • Revisar metas pelo menos uma vez por ano.
  • Considerar cenários de aposentadoria antecipada.
  • Buscar educação financeira contínua.

O principal aprendizado apontado por estudos e especialistas é que o maior erro não está na escolha de um produto financeiro específico, mas no adiamento das decisões.

Quanto antes existe um plano estruturado, maiores são as chances de adaptação diante das mudanças da vida. Por isso, o caminho mais citado pelos especialistas continua sendo iniciar o planejamento da aposentadoria o quanto antes.

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