terça-feira, 15 de setembro de 2026
Presidenciável

Caiado quer criar polícia “transnacional” com países vizinhos ao Brasil

Em sabatina da GloboNews e do g1, candidato do PSD coloca segurança pública no centro do discurso, defende anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, revisão da reforma tributária e negociação com os Estados Unidos

Bruno Goulartpor em
Caiado
“Vou criar uma nova polícia com esses 10 países”, disse. Foto: Divulgação

Bruno Goulart

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta sexta-feira (7), durante sabatina promovida pela GloboNews e pelo g1, que pretende criar uma polícia “transnacional” envolvendo o Brasil e os países vizinhos para combater o narcotráfico e o crime organizado. Ex-governador de Goiás, Caiado colocou a segurança pública entre os principais pontos de sua candidatura e defendeu um acordo internacional que permita maior integração e rapidez na atuação das forças policiais nas regiões de fronteira.

A proposta, segundo o presidenciável, seria inspirada na cooperação existente entre países europeus. Caiado afirmou que pretende negociar um acordo com os países que fazem fronteira com o território brasileiro. “A mesma coisa que a Europa fez: uma polícia europeia que não tem fronteira. Quero criar essa polícia na América do Sul”, disse. A ideia é permitir que operações possam continuar mesmo quando criminosos cruzarem as fronteiras nacionais. “Aconteceu um caso e está na Bolívia. A tropa pode passar, e eles podem passar para o Brasil também. Vou criar uma nova polícia com esses 10 países. E o financiamento vai ser dividido”, acrescentou.

Anistia

Ainda no campo político e institucional, Caiado voltou a defender a concessão de anistia aos condenados por crimes relacionados aos atos de 8 de Janeiro, medida que poderia beneficiar, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o candidato, a iniciativa seria uma forma de diminuir a polarização política. “Essa medida tem o sentido de pacificar o país. Não podemos mais conviver com o que estamos vivendo. É uma briga inútil, que só traz desgastes”, afirmou. “Quando eu promover a anistia, vamos viver um outro momento.”

Questionado sobre pesquisas que apontam que a maioria dos brasileiros rejeita uma anistia, o candidato respondeu fazendo uma comparação com a situação jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caiado afirmou que também existe parcela da população que discorda das decisões que devolveram ao petista os direitos políticos. “50% da população também não concorda que Lula tivesse sido absolvido diante de tantas denúncias”, argumentou.

Na sequência, o candidato comparou o debate sobre a tentativa de golpe relacionada ao 8 de Janeiro às decisões judiciais que permitiram a Lula voltar às eleições. “Essa discussão de tentativa de golpe é a mesma que eu buscaria sobre se realmente teve uma tentativa de golpe ao soltar o Lula para ser candidato”, declarou. Em 2021, as condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que restabeleceu os direitos políticos do petista. As decisões não representaram uma absolvição após julgamento do mérito das acusações.

Economia

Outro tema abordado foi a economia. Caiado afirmou que, caso chegue ao Palácio do Planalto, pretende revisar pontos da reforma tributária aprovada em 2025. Segundo o candidato, mudanças são necessárias para reduzir impactos sobre empresas e profissionais liberais. “Vou revisar todos esses pontos que hoje estão penalizando a iniciativa privada”, disse. “Se você perguntar ao pequeno e médio empresário, ele quer a revisão. Se você for ao profissional liberal, ele quer a revisão.”

Política externa

Na política externa, Caiado afirmou que não pretende retaliar os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O candidato classificou uma eventual retaliação como prejudicial às exportações e aos investimentos no País. “Eu? Retaliar os americanos? Para acabar com o resto das exportações que nós temos e perder todos os investimentos americanos?”, questionou.

Como alternativa, o presidenciável defendeu uma negociação direta com Trump e criticou o que considera uma atuação ideológica do Ministério das Relações Exteriores. Caiado também apontou minerais estratégicos, como terras-raras e nióbio, como ativos que poderiam fortalecer a posição brasileira em negociações internacionais. Ao mesmo tempo, disse que pretende preservar as relações comerciais tanto com os Estados Unidos quanto com a China.

Flávio Bolsonaro

Durante a sabatina, Caiado também explicou o endurecimento das críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) após episódios relacionados ao Banco Master. O ex-governador afirmou que inicialmente evitou fazer um “pré-julgamento”, mas que mudou de posição diante do surgimento de novos fatos. Para Caiado, quem disputa a Presidência precisa dar respostas claras aos questionamentos e demonstrar capacidade de preservar a própria credibilidade. “Não se governa sem autoridade moral”, afirmou.

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