TALIBÃ

Protestos contra hijab no Afeganistão terminam em repressão policial

Manifestações pelos direitos das mulheres terminaram com mortes, feridos e dezenas de prisões no país

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 9 de junho de 2026
afeganistão
Autoridades afegãs afirmaram que os atos prejudicam a ordem pública (Foto: Marius Arnesen/ Wikimedia Commons)

Uma manifestação pelos direitos das mulheres terminou com ao menos uma morte, feridos e dezenas de detenções na cidade de Herat, no oeste do Afeganistão, nesta terça-feira (9). Segunda a CNN Brasil, o protesto começou após relatos de que mulheres teriam sido detidas pela polícia da moralidade do Talibã por supostamente violarem as rígidas regras de vestuário impostas pelo grupo.

Ainda segundo o veículo, moradores e testemunhas relataram que agentes de segurança dispersaram os manifestantes durante o ato realizado na região de Jebrail. Relatos apontam que uma pessoa morreu e várias outras ficaram feridas durante a ação. Entre os detidos estariam mulheres e meninas que participavam da mobilização.

Autoridades do Afeganistão negam repressão

Em declaração à agência estatal Bakhtar, o porta-voz da polícia de Herat, Sayed Masoud Hosseini, afirmou que a manifestação gerou tensão e prejudicou a ordem pública sob o argumento de contestar o uso obrigatório do hijab islâmico. O chefe do Departamento de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício da província, xeque Azizur Rahman Al-Muhajir, negou que mulheres tenham sido presas por descumprirem as regras de vestuário. Segundo ele, os inspetores apenas orientaram a população sobre a importância do hijab.

 

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A reação das autoridades ocorre em meio ao aumento das críticas internacionais às políticas adotadas pelo Talibã desde sua volta ao poder, em 2021. O grupo restringiu o acesso de mulheres e meninas à educação, ao mercado de trabalho e à prática esportiva, além de impor regras rígidas sobre comportamento e circulação em espaços públicos.

Na segunda-feira (8), a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão manifestou preocupação com relatos de detenções de mulheres no oeste do país por supostas violações das normas de vestuário. O órgão pediu que as autoridades respeitem a liberdade de movimento e garantam igualdade perante a lei.

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