sexta-feira, 23 de outubro de 2026
POLÍTICA

“Eu luto por mulheres desde o primeiro mandato”, afirma Celina ao apoiar Michelle e Bia Kicis

Apoio da governadora às pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis amplia ruídos com o MDB e movimenta a corrida ao Senado em 2026.

Jéssica Nascimentopor em
“Eu luto por mulheres desde o primeiro mandato”, afirma Celina ao apoiar Michelle e Bia Kicis
Governadora Celina Leão (Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reafirmou nesta quarta-feira (10) o apoio às pré-candidaturas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) ao Senado Federal em 2026. A declaração reforça o alinhamento da chefe do Executivo local com lideranças do campo conservador e amplia os sinais de distanciamento político entre seu grupo e o MDB do ex-governador Ibaneis Rocha.

Durante agenda pública em Brasília, Celina defendeu a presença feminina nos espaços de poder e argumentou que sua posição em favor das duas pré-candidatas está alinhada com uma trajetória de atuação voltada à participação das mulheres na política.

“Não é natural eu querer mulheres no Senado? Eu sou uma mulher. Eu luto por mulheres desde o meu primeiro mandato”, afirmou a governadora ao comentar a composição da futura disputa eleitoral.

As declarações ocorreram um dia após a participação de Celina no lançamento da pré-candidatura do deputado distrital Thiago Manzoni (PL) à Câmara dos Deputados. O evento reuniu lideranças bolsonaristas do Distrito Federal e contou com a presença de Michelle Bolsonaro, que foi homenageada durante a cerimônia.

Na ocasião, a governadora fez um discurso em defesa das possíveis candidaturas de Michelle e Bia Kicis ao Senado. “Eu quero muito ter duas mulheres no Senado. É a chance de a gente trazer pessoas que acreditam de verdade. A Bia é motivo de orgulho. E você, Michelle, que poderia alcançar voos altíssimos, sabe que uma cadeira no Senado também será sua”, declarou.

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O posicionamento de Celina ocorre em meio ao aumento das tensões políticas envolvendo o MDB, partido que controla uma das principais estruturas de poder no Distrito Federal desde a gestão de Ibaneis Rocha. Nos bastidores, integrantes da legenda têm defendido uma candidatura própria ao Senado e discutem os rumos da aliança para a eleição de 2026.

Questionada sobre os impactos de seu apoio às pré-candidaturas do PL na relação com Ibaneis, a governadora adotou tom conciliador, mas deixou claro que considera natural a existência de diferentes projetos políticos dentro da base governista.

“Faz duas semanas que o MDB fala em rompimento, fala em candidatura. As duas semanas que eu estou calada, só ouvindo. O governador Ibaneis teve vários candidatos ao Senado no governo passado. É natural que eu possa ter também vários candidatos ao Senado”, afirmou.

A fala é interpretada como uma resposta às movimentações recentes de setores do MDB, que passaram a defender maior independência política em relação ao governo local e cogitam lançar nomes próprios para a disputa ao Congresso Nacional.

Durante o evento do PL, Celina também comentou os desafios enfrentados desde que assumiu o comando do Palácio do Buriti após a saída de Ibaneis Rocha para disputar novos projetos políticos. Sem detalhar episódios específicos, a governadora afirmou estar sendo alvo de críticas e pressões por exercer uma gestão com identidade própria.

“Eu assumi o governo em um momento muito difícil. Ser governadora é dar a cara ao seu governo, por isso acredito que estou sofrendo tanta retaliação”, disse.

Ao discursar ao lado de Michelle Bolsonaro, Celina ainda ressaltou as dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança e defendeu maior representatividade feminina nos espaços de decisão.

A movimentação da governadora antecipa um cenário de disputa intensa para as duas vagas ao Senado que estarão em jogo pelo Distrito Federal em 2026. Enquanto o PL trabalha para consolidar nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o MDB busca preservar espaço político em uma das eleições mais estratégicas do próximo ciclo eleitoral.

Nos bastidores, lideranças locais avaliam que a definição das alianças para o Senado poderá influenciar diretamente a formação da chapa que disputará o Governo do Distrito Federal, tornando a relação entre Celina Leão, o MDB e o grupo bolsonarista um dos principais focos da articulação política nos próximos meses.

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