terça-feira, 7 de julho de 2026
SAÚDE

Junho Laranja: Brasil projeta mais de 12 mil casos anuais de leucemia até 2028; veja os sinais

Hematologista explica que doença não tem prevenção específica e alerta para sintomas como cansaço persistente, fraqueza e falta de ar que não devem ser ignorados

Luana Avelarpor Luana Avelar em 11 de junho de 2026
junho

A leucemia nem sempre chega com sinais evidentes. Cansaço persistente, fraqueza, tontura e falta de ar são sintomas frequentemente confundidos com a rotina, mas que podem indicar algo mais sério. No Junho Laranja, mês dedicado à conscientização sobre anemia e leucemia, esses sinais ganham relevância diante dos números do Instituto Nacional de Câncer (INCA): são projetados mais de 12.220 novos casos anuais de leucemia no Brasil até 2028, volume 21% acima do estimado pelo próprio INCA em 2016. Em Goiás, a expectativa é de 240 registros apenas em 2026.

A leucemia é um câncer que começa nas células-tronco da medula óssea, região responsável pela produção das células do sangue. Pode ser aguda ou crônica, linfoide ou mieloide, e seus fatores associados incluem exposição a quimioterapia, radioterapia, agrotóxicos e benzeno.

Leia mais: Paixão nacional: as maiores histórias do futebol para maratonar

A hematologista Maria Amorelli explica que nem sempre é possível determinar a origem da doença. “A gente não consegue estabelecer uma única causa para a doença”, pontua.

Sem prevenção específica, vigilância é o caminho

A leucemia não tem prevenção direta, o que desloca o foco para o diagnóstico precoce. “Não existe prevenção específica para a leucemia. O que sabemos de fato é que em alguns casos a hereditariedade aparece entre 7% a 20% dos casos. As pessoas que têm síndrome de Down possuem um risco maior, uma vez que sua mutação genética tem predisposição à leucemia. Algumas síndromes ou mutações genéticas, no geral, podem estar aumentando o risco de vários cânceres, inclusive da leucemia. Nesses casos, a gente precisa de uma vigilância mais precoce, possibilitando algum tratamento mais precoce, com menor risco para esses pacientes”, explica a médica.

Anemia não leva à leucemia

Uma confusão comum entre pacientes é a ideia de que a anemia seria uma fase anterior à leucemia. A hematologista esclarece que essa relação não corresponde à prática clínica na maioria dos casos. A exceção envolve a mielodisplasia, condição que pode se manifestar com anemia e, em alguns pacientes, evoluir para leucemia.

“A mielodisplasia é uma doença que pode se manifestar com uma anemia, principalmente no paciente idoso. Muitas vezes, principalmente nos mais idosos, o paciente com mielodisplasia evolui para um quadro de leucemia. Essa doença é uma predisposição, quase uma pré-leucemia, onde a gente pode realmente ter uma transformação”, explica.

A anemia tem tratamento conforme a causa

A anemia afeta cerca de 30% da população mundial, segundo a OMS. No Centro-Oeste, artigo publicado na revista Hematology, Transfusion and Cell Therapy registrou mais de 28 milhões de casos entre 2013 e 2023, com Goiás concentrando quase 38% desse total.

O tratamento depende da causa identificada. Segundo a médica, “anemia por falta de vitamina, como ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, pode ser resolvida com uma alimentação variada, mais rica em nutrientes variados”.

Diante de fraqueza, cansaço, falta de ar e tonturas persistentes, a orientação é procurar um clínico geral ou hematologista para investigar alterações e solicitar os exames necessários.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Veja também