quarta-feira, 8 de julho de 2026
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Mercado financeiro eleva previsão para juros às vésperas de nova decisão do Banco Central

Analistas projetam Selic em 13,75% no fim do próximo ano, enquanto inflação segue acima da meta e pressiona as decisões do Copom

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 16 de junho de 2026
Mercado
Marcello Casal JR/Agência Brasil

Às vésperas de uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2026. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, a estimativa dos analistas passou de 13,5% para 13,75% ao ano, refletindo a preocupação com a persistência da inflação e os efeitos das tensões internacionais sobre a economia brasileira.

A expectativa do mercado é de que o Copom mantenha a Selic em 14,5% ao ano na reunião desta semana, realizada entre terça-feira (16) e quarta-feira (17). Atualmente, a taxa é utilizada como o principal instrumento para controlar a inflação, influenciando diretamente o custo do crédito, o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

Nos últimos meses, o cenário econômico sofreu impacto da guerra no Oriente Médio, que pressionou os preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos. Esse movimento acabou afetando a inflação brasileira e dificultando um ritmo mais acelerado de redução dos juros. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas.

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O boletim Focus também trouxe uma piora nas projeções inflacionárias. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,11% para 5,3% em 2026, ultrapassando novamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Atualmente, a meta central é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulada em 12 meses já alcança 4,72%, impulsionada principalmente pela alta dos alimentos. O cenário mantém o Banco Central em alerta e reduz o espaço para cortes mais expressivos nos juros.

Apesar disso, as perspectivas para a atividade econômica tiveram uma leve melhora. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,91% para 1,96% neste ano. O mercado também estima expansão de 1,7% em 2027 e de 2% em 2028 e 2029.

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