Eleições 2026

Evento do PL em Goiânia tem ataques de Flávio a Lula, apoio a Wilder e ausência de Michelle

No lançamento das pré-candidaturas goianas, o senador e pré-candidato à Presidência concentrou críticas ao governo federal, defendeu a redução da maioridade penal e pediu a eleição de uma base aliada no Congresso. Em meio ao racha com Flávio, ausência da ex-primeira-dama é sentida

Thiago Borgespor Thiago Borges em 28 de junho de 2026
Evento do PL em Goiânia tem ataques de Flávio a Lula, apoio a Wilder e ausência de Michelle
Apesar do clima amistoso no PL goiano, a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou atenção | Foto: Divulgação

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou do lançamento das pré-candidaturas do PL em Goiás, em evento capitaneado pelo senador e pré-candidato ao governo do Estado, Wilder Morais (PL-GO). O encontro que reuniu o presidenciável, os pré-candidatos do PL no Estado e a militância bolsonarista aconteceu no Tatersal de Elite do Parque de Exposições Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, neste sábado (27). 

Marcado para começar às 9h, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) subiu ao palco do evento por volta das 11h15 ao lado de Wilder, da pré-candidata à vice-governadora, Ana Paula Rezende (PL), e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Antes de subir ao palco e ser ovacionado pela militância que lotou parcialmente o Tatersal de Elite, Flávio chegou ao Parque de Exposições montado a um cavalo ao lado de Wilder. 

Vestido com uma camisa da seleção brasileira, Flávio recebeu das mãos dos deputados estaduais Eduardo Prado e Major Araújo (ambos do PL), a medalha Pedro Ludovico Teixeira, a maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), e o título de cidadão goiano. Já Valdemar recebeu o título de cidadão goianiense, iniciativa do vereador Major Vitor Hugo (PL), que entregou a honraria ao mandatário do partido. 

Em seu discurso, Flávio criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deixou a disputa estadual em segundo plano. O filho do ex-presidente afirmou que “essa eleição não é sobre Bolsonaro e Lula. É sobre os rumos que nós vamos dar ao País nos próximos 50 anos”. 

“Enquanto eu vou lá para fora classificar marginal de PCC e Comando Vermelho como terroristas, o atual presidente vai lá para fazer lobby para bandido, para defender terrorista”, afirmou Flávio, em referência à recente ida aos Estados Unidos, pouco antes do governo do presidente Donald Trump enquadrar as facções criminosas como terroristas. 

Também fez parte do discurso do senador o aceno às pré-candidaturas goianas do PL e a defesa da redução da maioridade penal. “Não adianta votar apenas para presidente da República. É preciso eleger deputados e senadores alinhados para alterar a Constituição e, por exemplo, reduzir a maioridade penal para 16 anos”, destacou Flávio. Sobre a disputa local, Flávio limitou-se a dizer que “Wilder é uma pessoa privilegiada por ter ao seu lado uma mulher tão qualificada como Ana Paula”.

As retóricas sobre a disputa pelo governo do Estado ficaram a cargo do senador goiano e da filha do ex-governador Iris Rezende (MDB). Ana Paula, inclusive, não poupou esforços em abraçar o discurso bolsonarista. A companheira de chapa de Wilder acenou para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), revisitou a história política do pai e alfinetou o governador Daniel Vilela (MDB), rival na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. “Nós não podemos entregar o Estado nas mãos de quem nunca derramou uma gota de suor para ter o que tem”, afirmou a pré-candidata. 

Wilder, por sua vez, foi mais contido. O pré-candidato do bolsonarismo ao governo estadual chegou a citar nominalmente o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e elogiá-los, enquanto falava que reconhecia o trabalho dos “governadores que antecederam”.

“As pessoas vão até achar engraçado eu dizer isso, mas eu falo também do Marconi. Ele também prestou serviços para o Estado de Goiás, no tempo dele e na hora dele, mas já passou, assim como o Caiado. O Caiado melhorou a questão da segurança pública de Goiás. A gente não tem dúvida disso, mas o desafio nosso é muito maior que isso”, destacou o senador. 

Wilder afirmou que os desafios envolvem a geração de empregos, a industrialização do Estado e os investimentos em infraestrutura. Em uma de suas promessas para caso seja eleito governador em outubro, Wilder citou que irá trabalhar para zerar a fila de cirurgias eletivas nos 100 primeiros dias de governo. 

O pré-candidato ao Senado e deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) foi citado durante o evento. O parlamentar não compareceu ao encontro em razão da recuperação de uma cirurgia no intestino. Dois vídeos do deputado foram exibidos no telão do evento e, em um deles, Gayer se referiu a Wilder como “próximo governador de Goiás”. 

Wilder devolveu a gentileza durante seu discurso, afirmando que o parlamentar é a “referência” do PL goiano. “Gayer, pode ter certeza que você será o mais bem votado de Goiás. Volta logo, você é nossa referência”, disse o pré-candidato. A relação do senador e do deputado passou por altos e baixos, desde a definição de Wilder como pré-candidato. No início do ano, Gayer capitaneava a ala do PL que defendia uma composição com a base aliada de Daniel. 

Apesar do clima amistoso no PL goiano, a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou atenção. Questionado pela reportagem do O HOJE se a ex-primeira-dama havia sido convidada, Wilder respondeu: “Nós convidamos. Convidamos todas as pessoas, a gente sempre faz isso com todos os nossos pré-candidatos, como você viu aí que veio nosso pré-candidato ao Senado do Mato Grosso”. 

Ana Paula disse que esperava a presença de Michelle. “Eu achei que ela viesse. Estive com ela semana passada. Mas estamos juntos e vamos prosseguir todos juntos”, afirmou a pré-candidata a vice-governadora ao O HOJE. Durante todo o evento, Michelle foi citada apenas uma vez, pela presidente do PL Mulher de Goiás e esposa de Wilder, Ana Luiza Morais, que lamentou a ausência da ex-primeira-dama. 

Na saída do evento, Flávio deixou o Tatersal de Elite sem cumprimentar apoiadores que esperavam o senador do lado de fora. O gesto não agradou a militância que aguardava o pré-candidato a presidente. “Se fosse o pai dele, descia e falava com todo mundo”, afirmou um apoiador, que foi acompanhado por outro colega: “O Bolsonaro ia passar por cima do policiamento pra vir falar com a gente”.

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