terça-feira, 30 de junho de 2026
Investigação

ONG de produtora de Dark Horse investigada por suposto desvio em contrato com Prefeitura de SP ampliou receita em 170 vezes

Documentos financeiros apontam salto no faturamento do Instituto Conhecer Brasil durante período em que a entidade manteve contrato milionário com o município.

Victor Silvapor Victor Silva em 30 de junho de 2026
Bolsonaro
Dark Horse, filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, segue cercado por controvérsias e investigações sobre financiamento | Foto: Divulgação

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização investigada por suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo, registrou um crescimento expressivo em sua receita entre 2022 e 2025. De acordo com demonstrações financeiras obtidas pela imprensa, o faturamento da entidade passou de R$ 306 mil para R$ 54 milhões no período, expansão de aproximadamente 170 vezes.

Os documentos indicam que a maior parte da receita de 2025 teve origem em recursos públicos, com R$ 51,9 milhões classificados como “parcerias e subvenções governamentais”. Também foram registrados R$ 2 milhões em subvenções ligadas à educação e R$ 2,6 milhões provenientes de prestação de serviços. A representante legal da entidade é Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), uma das hipóteses apuradas é a de que recursos públicos destinados ao contrato possam ter sido utilizados no financiamento da produção cinematográfica. Em 1º de junho, a Polícia Civil realizou uma operação que teve como alvos a ONG e a produtora. Até o momento, as investigações seguem em andamento e não há conclusão definitiva sobre as suspeitas.

As demonstrações financeiras também foram apresentadas pelo ICB ao Ministério da Justiça como parte do pedido para obtenção da certificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), solicitação que ainda não foi aprovada. Entre as despesas declaradas pela entidade em 2025, destacam-se cerca de R$ 52 milhões destinados a serviços de terceiros, além de gastos com pessoal, aluguéis, transporte, comunicação e manutenção de projetos, sem detalhamento sobre a destinação específica da maior parte desses recursos.

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