Apostas em bets triplicam entre brasileiros durante a Copa do Mundo
Levantamento da fintech Klavi mostra que quase 35% dos brasileiros enviaram dinheiro para plataformas de apostas desde o início do Mundial
As apostas esportivas ganharam força durante a Copa do Mundo de 2026. Levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance, sistema de integração de informações do Banco Central, aponta que 34,8% dos brasileiros enviaram dinheiro para plataformas de apostas desde o início da competição. O índice representa um salto em relação aos 11% registrados em maio, antes do torneio.
O estudo foi realizado a partir de uma amostra de 1,2 milhão de pessoas e mostra que o volume de recursos destinados às bets aumentou significativamente ao longo da competição. No domingo (28), por exemplo, o valor médio depositado por apostador chegou a R$ 272, enquanto antes da Copa a média era de R$ 188.
Valor das apostas aumentou durante o Mundial
Segundo a Klavi, o valor médio diário das apostas permanece acima do registrado antes do início da competição. O maior pico ocorreu em 14 de junho, um dia após a partida da seleção brasileira contra o Marrocos, quando cada apostador depositou, em média, R$ 524. O levantamento considera apenas transferências realizadas para plataformas legalizadas e não inclui apostas em sites clandestinos.
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Maioria das apostas ocorre à noite
Os dados também mostram que mais de 60% dos depósitos são realizados após as 18 horas, período que concentra a maior parte dos jogos da Copa do Mundo.
Em contrapartida, apenas 10% das transferências foram feitas durante a manhã, quando não há partidas. De acordo com especialistas, o período noturno já está associado a um comportamento de maior risco entre jogadores compulsivos.
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Segundo Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Ambulatório de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, os apostadores compulsivos tendem a jogar mais durante a noite.
“É quando as pessoas não estão sob a vigilância do cônjuge e têm menor contenção”, afirma o especialista. Segundo ele, o constrangimento diante de familiares e amigos costuma ser um dos principais fatores que levam jogadores a buscar tratamento.
Poucos apostadores concentram grande parte dos depósitos
O levantamento revela ainda que uma pequena parcela dos usuários movimenta grande parte do dinheiro destinado às apostas. Os chamados “high rollers”, grupo formado pelos 10% que mais depositaram recursos, movimentaram cerca de 20 vezes mais do que os outros 90% dos apostadores.
Publicidade de bets segue sob fiscalização
Enquanto o mercado cresce, a publicidade das casas de apostas continua sendo acompanhada pelos órgãos reguladores. Em diversos países há restrições quanto ao horário e ao formato dos anúncios para reduzir a exposição de crianças e adolescentes.
No Brasil, a legislação determina que as empresas incluam mensagens de conscientização sobre os riscos do jogo e prevê multas de até R$ 2 bilhões para infrações.
Durante a Copa do Mundo, a CazéTV passou a ser investigada pelo Ministério da Justiça por suspeita de práticas abusivas em anúncios de apostas esportivas. Segundo o órgão, propagandas exibidas durante as transmissões teriam utilizado promessas de prêmios ampliados para atrair novos clientes.
Em nota, a emissora informou que realizou mudanças recentes na exibição das marcas de apostas em atendimento às recomendações do governo federal e do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar). A empresa afirmou ainda que o mercado brasileiro de apostas esportivas passa por um processo de amadurecimento e que o debate contribui para aperfeiçoar as regras do setor.
Além da CazéTV, o Ministério da Justiça também acompanha a veiculação de publicidade de apostas em outras emissoras que transmitiram partidas da Copa do Mundo. Segundo as empresas, todas as ações publicitárias seguem a legislação brasileira vigente.