terça-feira, 11 de agosto de 2026
INFLAÇÃO

Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo

IPCA acumulado em 12 meses recua para 4,44% e volta a ficar dentro do limite da meta; tomate, batata e cenoura estão entre os produtos que mais baixaram de preço

Luma Silveirapor Luma Silveira em
Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil desacelerou novamente em julho e registrou alta de apenas 0,07%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). Foi o quarto mês consecutivo de perda de ritmo do IPCA, que passou a acumular 4,44% nos últimos 12 meses. Com o resultado, a inflação voltou a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo governo, que tem centro de 3% e limite superior de 4,5%.

O principal alívio veio da alimentação. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, contribuindo para segurar o índice geral. Dentro das compras feitas para consumo em casa, a redução foi ainda maior: 1,14%. A queda foi influenciada principalmente pelo recuo dos preços de tubérculos, raízes e legumes, favorecido por uma maior oferta de produtos e por condições climáticas consideradas mais favoráveis.

Entre os alimentos que mais contribuíram para a redução dos preços estão o tomate, que ficou 29,09% mais barato, a batata-inglesa, com queda de 19,59%, e a cenoura, que recuou 14,41%. O café moído também apresentou redução de 2,45% em julho. Considerando o acumulado de 12 meses, o café registra queda de 17,2%, a maior redução para o produto desde o início do Plano Real, em 1994, segundo o IBGE.

Conta de luz impede queda maior

Se os alimentos ajudaram a conter a inflação, a energia elétrica teve efeito contrário. A conta de luz subiu 3,09% em julho e foi o item individual que mais pressionou o IPCA, com impacto de 0,13 ponto percentual. O aumento foi influenciado por reajustes aplicados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, que acabam refletidos no índice nacional calculado pelo IBGE.

A pressão sobre a energia, no entanto, pode diminuir em agosto. O consumidor deverá receber um desconto na conta por meio do chamado Bônus Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que deve ajudar a compensar parte do impacto observado no mês anterior.

Passagens aéreas sobem, combustíveis recuam

No grupo Transportes, o movimento foi dividido. As passagens aéreas tiveram alta de 11,67%, enquanto os combustíveis ficaram mais baratos. O etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o óleo diesel teve redução de 1,22% e o gás veicular baixou 0,08%.

Além de Alimentação e bebidas, outros grupos também registraram queda em julho. O Vestuário teve redução de 0,66% e Educação recuou 0,03%. Na outra ponta, Habitação apresentou alta de 0,99%, Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% e Despesas pessoais avançou 0,22%.

Inflação volta para dentro da meta

O resultado de julho fez o IPCA acumulado em 12 meses cair para 4,44%, abaixo do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação. O indicador havia ultrapassado esse limite em maio, quando chegou a 4,72%, e permaneceu acima dele em junho, com 4,64%.

Em julho de 2026, o IPCA foi de 0,07%, após registrar 0,16% em junho, 0,58% em maio, 0,67% em abril, 0,88% em março, 0,70% em fevereiro e 0,33% em janeiro. O resultado do mês passado também foi o menor desde agosto de 2025, quando a inflação havia ficado em 0,11%.

A inflação ficou em linha com a previsão mais recente do mercado financeiro. No boletim Focus divulgado na segunda-feira (10), instituições consultadas pelo Banco Central projetavam alta de 0,07% para o IPCA de julho. Para o encerramento de 2026, a expectativa do mercado está em 5,02%.

O IPCA acompanha a variação dos preços de 377 produtos e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos. Em julho, o índice de difusão ficou em 50%, indicando que metade dos itens pesquisados apresentou aumento de preço durante o mês.

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