Desenrola Adimplentes mira no curto prazo, mas não resolve endividamento
Nova modalidade do Desenrola apresenta três frentes para ampliar o acesso ao crédito à população
Nesta segunda-feira (10), o Desenrola Adimplentes, modalidade do Desenrola voltada a pessoas que mantêm seus compromissos financeiros em dia, entrou em operação. A linha permite trocar empréstimos mais caros por crédito com juros de até 1,99% ao mês e valores até R$ 15 mil.
A modalidade do programa começou a funcionar após mudanças nas regras para atrair instituições financeiras. O Desenrola Adimplentes é uma das três frentes lançadas pelo governo federal para ampliar o acesso ao crédito e irá contemplar trabalhadores informais.
Já a segunda linha será o Fies Empreendedor, que prevê nova linha de crédito para ex-estudantes adimplentes do financiamento estudantil. A terceira modalidade oferece a possibilidade de uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia em operações de crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada.
Dentro desses programas, as medidas vão funcionar da seguinte maneira: os trabalhadores informais adimplentes poderão trocar dívidas por uma nova linha de crédito com taxa de até 1,99% ao mês, em operações de até R$ 15 mil.
Os trabalhadores formais passam a ter acesso a crédito consignado privado com garantia adicional do FGTS. A taxa de juros dessas operações também fica limitada a até 1,99% ao mês. Já os estudantes e ex-estudantes do Fies terão acesso a uma linha de crédito para empreendedorismo, com financiamentos de até R$ 80 mil para pessoa física e até R$ 180 mil para pessoa jurídica.
Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a nova modalidade é uma forma de aumentar o alcance do Desenrola. “O valor que a gente defende no Desenrola é o pagamento, em dia, das contas. Os depoimentos que a gente ouviu mostram isso: as pessoas queriam pagar, mas não estavam conseguindo. Voltaram agora, com essa ajuda do governo, a poder pagar em dia”, afirmou durante o lançamento das medidas.
A economista Greice Guerra disse ao O HOJE que a medida pode representar um alívio no orçamento dos trabalhadores, principalmente daqueles que possuem dívidas contratadas a taxas mais altas. “É uma medida boa, porque ajuda as pessoas que estão endividadas a renegociar suas dívidas a uma taxa de juros menor”, ressalta.
A redução do custo do crédito pode liberar parte da renda mensal das famílias. Porém, na visão da especialista, o resultado dependerá da organização financeira do beneficiário após a renegociação. “A pessoa não pode contrair novas dívidas, porque senão de nada vai adiantar essa renegociação”, afirma.
Guerra considera que a portabilidade proposta pelo programa pode solucionar parte das dificuldades no curto prazo, mas não elimina as causas do endividamento. “Resolve no curto prazo, mas tem que ser feito com planejamento e prudência para não contrair novas dívidas. Porém, o problema não é resolvido nem no médio e nem no longo prazo”, destaca.
Outro ponto levantado pela economista é o nível da taxa básica de juros. Para ela, programas de renegociação atuam sobre as consequências do endividamento, enquanto o custo elevado do crédito continua sendo um problema para consumidores e empresas. “O grande problema hoje é a taxa de juros muito elevada que a economia brasileira está vivenciando”, pontua.
Na avaliação da economista, uma redução dos juros básicos teria impacto mais amplo sobre o endividamento. Uma das consequências disso são os efeitos dos juros sobre empresas e pequenos negócios. Segundo Guerra, o custo elevado do crédito limita investimentos e dificulta a manutenção das atividades.
Além disso, Guerra avalia que a ampliação do crédito e do dinheiro em circulação pode exercer pressão sobre os preços. “Isso também gera mais dinheiro na economia. Mais dinheiro na economia significa mais inflação e dificulta cada vez mais a vida do Banco Central cortar a taxa Selic”, comenta.
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