sábado, 7 de novembro de 2026
Dinheiro

Desenrola Adimplentes mira no curto prazo, mas não resolve endividamento

Nova modalidade do Desenrola apresenta três frentes para ampliar o acesso ao crédito à população

João César Almeidapor em
Desenrola
Contemplados podem trocar juros altos por taxas de até 1,99% ao mês - Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Nesta segunda-feira (10), o Desenrola Adimplentes, modalidade do Desenrola voltada a pessoas que mantêm seus compromissos financeiros em dia, entrou em operação. A linha permite trocar empréstimos mais caros por crédito com juros de até 1,99% ao mês e valores até R$ 15 mil.

A modalidade do programa começou a funcionar após mudanças nas regras para atrair instituições financeiras. O Desenrola Adimplentes é uma das três frentes lançadas pelo governo federal para ampliar o acesso ao crédito e irá contemplar trabalhadores informais.

Já a segunda linha será o Fies Empreendedor, que prevê nova linha de crédito para ex-estudantes adimplentes do financiamento estudantil. A terceira modalidade oferece a possibilidade de uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia em operações de crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada.

Dentro desses programas, as medidas vão funcionar da seguinte maneira: os trabalhadores informais adimplentes poderão trocar dívidas por uma nova linha de crédito com taxa de até 1,99% ao mês, em operações de até R$ 15 mil.

Os trabalhadores formais passam a ter acesso a crédito consignado privado com garantia adicional do FGTS. A taxa de juros dessas operações também fica limitada a até 1,99% ao mês. Já os estudantes e ex-estudantes do Fies terão acesso a uma linha de crédito para empreendedorismo, com financiamentos de até R$ 80 mil para pessoa física e até R$ 180 mil para pessoa jurídica.

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a nova modalidade é uma forma de aumentar o alcance do Desenrola. “O valor que a gente defende no Desenrola é o pagamento, em dia, das contas. Os depoimentos que a gente ouviu mostram isso: as pessoas queriam pagar, mas não estavam conseguindo. Voltaram agora, com essa ajuda do governo, a poder pagar em dia”, afirmou durante o lançamento das medidas.

A economista Greice Guerra disse ao O HOJE que a medida pode representar um alívio no orçamento dos trabalhadores, principalmente daqueles que possuem dívidas contratadas a taxas mais altas. “É uma medida boa, porque ajuda as pessoas que estão endividadas a renegociar suas dívidas a uma taxa de juros menor”, ressalta.

A redução do custo do crédito pode liberar parte da renda mensal das famílias. Porém, na visão da especialista, o resultado dependerá da organização financeira do beneficiário após a renegociação. “A pessoa não pode contrair novas dívidas, porque senão de nada vai adiantar essa renegociação”, afirma.

Guerra considera que a portabilidade proposta pelo programa pode solucionar parte das dificuldades no curto prazo, mas não elimina as causas do endividamento. “Resolve no curto prazo, mas tem que ser feito com planejamento e prudência para não contrair novas dívidas. Porém, o problema não é resolvido nem no médio e nem no longo prazo”, destaca.

Outro ponto levantado pela economista é o nível da taxa básica de juros. Para ela, programas de renegociação atuam sobre as consequências do endividamento, enquanto o custo elevado do crédito continua sendo um problema para consumidores e empresas. “O grande problema hoje é a taxa de juros muito elevada que a economia brasileira está vivenciando”, pontua.

Na avaliação da economista, uma redução dos juros básicos teria impacto mais amplo sobre o endividamento. Uma das consequências disso são os efeitos dos juros sobre empresas e pequenos negócios. Segundo Guerra, o custo elevado do crédito limita investimentos e dificulta a manutenção das atividades.

Além disso, Guerra avalia que a ampliação do crédito e do dinheiro em circulação pode exercer pressão sobre os preços. “Isso também gera mais dinheiro na economia. Mais dinheiro na economia significa mais inflação e dificulta cada vez mais a vida do Banco Central cortar a taxa Selic”, comenta.

Leia mais:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

NEGÓCIOS

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

Estudo aponta que a mudança pode ocorrer entre 2031 e 2037, conforme o ritmo de expansão do mercad...
desenrola adimplentes

MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Perdão de dívidas do MEI será automático em janeiro; veja o que continua sendo cobrado

Cancelamento alcança a contribuição previdenciária vencida até 13 de outubro de 2026, mas não ...
Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

DÍVIDA MUNICIPAL

Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

Condições especiais incluem débitos tributários e não tributários, com abatimentos maiores par...
“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

NEGÓCIOS

“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

Medida provisória estabelece alíquotas provisórias para produtos como bebidas, cigarros e veícul...
“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

REFORMA TRIBUTÁRIA

“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

Cigarros terão alíquota de 66,7%, enquanto determinados destilados ficarão em 24%; cobrança come...
Quem é contra o fim da escala 6x1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

DIREITOS DO TRABALHADOR

Quem é contra o fim da escala 6×1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

Confederações da indústria e do comércio questionam a mudança; argumentos incluem custos, acord...
Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

Impostos

Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

A alíquota de 11,3% proposta pelo TCU para 2027 supera os 9,2% esperados pelo setor industrial. Re...
Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

TAXA DE JUROS

Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

Copom interrompe ciclo de cortes nos juros básicos após cinco reduções consecutivas. Instabilida...