Mercado de trabalho

Escassez de mão de obra persiste mesmo com queda do desemprego

Em Goiás, o setor de construção civil é o mais impactado com a escassez de mão de obra

João César Almeidapor em
Mão de obra
80% dos empregadores brasileiros têm dificuldade para encontrar profissionais - Foto: Arquivo/Tânia Rêgo/ABr

Recentemente, no Brasil, a taxa de desemprego alcançou o menor nível de sua série histórica, com 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026. Porém, mesmo com essa redução, oito em cada dez empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, segundo a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo ManpowerGroup. O levantamento ouviu 39.063 empregadores em 41 países, entre 1 e 31 de outubro de 2025.

No Brasil, 80% dos empregadores afirmaram enfrentar dificuldades de contratação. O percentual representa uma leve queda em relação a 2025, quando o índice era de 81%, mas mantém o país em um patamar elevado desde 2022. Antes disso, em 2019, o indicador brasileiro era de 52%.

A escassez de profissionais aumenta conforme o porte das empresas. Entre companhias com menos de dez colaboradores, 72% relatam dificuldade para contratar. O índice sobe para 75% entre empresas com 10 a 49 funcionários, 79% nas de 50 a 249, 81% nas de 250 a 999 e chega a 90% nas organizações com 1.000 a 4.999 colaboradores.

De acordo com a classificação usada pelo ManpowerGroup, o segmento de serviços profissionais, científicos e técnicos é o mais afetado pela escassez de talentos no Brasil. Nesse setor, 85% dos empregadores afirmam enfrentar dificuldades para contratar.

Em seguida, aparece o setor de informação, com 83%. Comércio e logística, hospitalidade, manufatura, serviços públicos e recursos naturais registram o mesmo percentual, de 79%. Já o setor de construção e imobiliário aparece com 77% dos empregadores relatando dificuldade para encontrar mão de obra.

A construção civil, apesar de estar entre os setores que mais empregam no país, também enfrenta gargalos de contratação. O problema é mais evidente em vagas de entrada, antes ocupadas com maior frequência por trabalhadores jovens. Entre os fatores apontados pelo setor estão a percepção negativa sobre o trabalho braçal, a falta de referências de crescimento profissional na área e a concorrência com segmentos mais visíveis, como tecnologia, varejo e aplicativos.

O analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae-GO), Bruno Lyra, explica ao O HOJE que a escassez de profissionais qualificados é uma queixa frequente no setor produtivo. Segundo ele, vários empresários têm relatado dificuldade para encontrar mão de obra mais qualificada.

Lyra também destaca as dificuldades enfrentadas pelos pequenos negócios, que não conseguem pagar por mão de obra devidamente qualificada nem arcar com os custos de capacitação. “Grandes empresas têm mais capacidade para investir em processos de seleção, para recrutar mais pessoas e, claro, oferecer uma série de benefícios que as pequenas empresas não conseguem”, complementa.

Realidade em Goiás

No estado, um dos setores que mais sofre com a escassez de mão de obra é a indústria da construção. De acordo com o estudo sobre escassez de mão de obra na construção em Goiás, realizado pelo Sebrae-GO em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em 2021, o setor da construção possuía cerca de 69 mil empregados.

Em comparação, em 2012, o setor possuía cerca de 91 mil empregados, uma queda de aproximadamente 22 mil postos de trabalho. Nesse cenário, as empresas da construção precisam repor o quadro de funcionários, mas não conseguem ao longo do tempo.

Segundo a diretora de Comunicação Social do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Carolina Lacerda, a falta de mão de obra é um fenômeno estrutural, decorrente de um descompasso entre a velocidade de expansão do setor e a formação de novos profissionais.

Na visão de Lacerda, outro ponto de pressão para o setor da construção é o custo da mão de obra, “que tem subido bem acima da inflação oficial, pressionado justamente pela escassez de oferta qualificada”.

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