quinta-feira, 9 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Virginia Fonseca é alvo de ação de R$ 120 milhões por publicidade de bets

MPDFT acusa influenciadora e Blaze de práticas abusivas para atrair consumidores e pede retirada de conteúdos das redes sociais

Thais Munizpor Thais Muniz em 9 de julho de 2026 às 14:02
virginia
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) entrou com uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze. O órgão pede uma indenização de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos. Além disso, acusa as duas partes de práticas publicitárias abusivas na divulgação de apostas. As informações são do portal Metrópoles.

O processo tramita na 7ª Vara Cível de Brasília e ainda não teve decisão. Ao mesmo tempo, o MPDFT pede uma tutela de urgência para interromper conteúdos publicitários que considera irregulares.

A investigação começou após denúncias de consumidores. Segundo o Ministério Público, usuários relataram retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar dinheiro. Além disso, um relatório técnico reuniu mais de 42 mil reclamações contra a plataforma.

As apurações começaram em 2023. Naquele período, a Blaze ainda operava sem autorização federal. Por isso, servidores do MPDFT se cadastraram na plataforma para acompanhar as comunicações promocionais e as ações de marketing.

MP aponta influência sobre consumidores

A ação afirma que a Blaze usou celebridades e influenciadores digitais para ampliar o alcance das campanhas. Dessa forma, a empresa buscava atrair novos usuários para as apostas.

Além disso, o processo cita um inquérito policial de Mato Grosso. A investigação apontou que a empresa recorria a personalidades conhecidas para captar apostadores. Segundo o documento, as campanhas apresentavam mensagens relacionadas a ganhos rápidos e fáceis.

No caso de Virginia, o promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski afirma que a influenciadora atuava como “braço operacional da captação” de usuários. Segundo ele, Virginia transmitia a mensagem publicitária e induzia o público à aposta.

A petição também aborda a relação de confiança entre influenciadores e seguidores. Para o MPDFT, as recomendações feitas por personalidades da internet podem interferir nas escolhas dos consumidores.

“Ao recomendar produtos e serviços, os influenciadores induzem o público a adotar comportamentos alinhados ao estilo de vida que promovem”, afirma o promotor.

Além disso, Binicheski cita a credibilidade que os influenciadores constroem com a audiência. Segundo ele, essa relação pode levar o público a enxergar uma recomendação como uma aprovação do produto ou serviço anunciado.

Publicações durante a Copa entram na ação

O Ministério Público também cita conteúdos publicados durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo a ação, Virginia teria incentivado seguidores a apostar na Blaze.

Ao mesmo tempo, o MPDFT afirma que a influenciadora não teria apresentado de forma clara o caráter publicitário da divulgação. Um dos episódios citados envolve uma partida de Cabo Verde.

De acordo com o órgão, Virginia teria apresentado a aposta como uma recomendação espontânea. Além disso, teria estimulado o público a apostar em uma condição esportiva específica.

A ação também cita informações sobre uma possível remuneração ligada às perdas de apostadores captados. Para o Ministério Público, essa situação poderia criar um conflito de interesses entre a influenciadora e os seguidores.

MP pede retirada de conteúdos

Além da indenização, o MPDFT quer a retirada imediata de conteúdos publicitários que prometam lucros irreais. O pedido também inclui publicações que induzam consumidores ao erro.

Da mesma forma, o órgão quer interromper conteúdos que estimulem apostas em times, eventos ou resultados específicos. A medida também alcança publicidade disfarçada em publicações pessoais.

Além disso, o pedido inclui estratégias conhecidas como “dark patterns”. Essas técnicas buscam influenciar as decisões dos usuários em ambientes digitais.

O Ministério Público também quer que Virginia e a Blaze custeiem uma campanha educativa. O conteúdo deverá abordar os riscos do jogo e do superendividamento. Além disso, deverá informar os consumidores sobre seus direitos.

Segundo o MPDFT, a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos. A partir dessa estimativa, o órgão aplicou um percentual de 20% sobre o montante.

Dessa forma, o Ministério Público chegou ao pedido de R$ 120 milhões. Caso a Justiça aceite a ação, os recursos poderão financiar programas sociais, educativos e de saúde mental.

Essas iniciativas deverão atender consumidores e apostadores. Outra possibilidade, segundo o MPDFT, é destinar o dinheiro ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).

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Virginia já foi citada na CPI das Bets

A ação também menciona o histórico de Virginia na CPI das Bets. Em junho de 2025, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentou um pedido de indiciamento da influenciadora.

Na ocasião, a relatora também pediu o indiciamento de Deolane Bezerra e de outras 14 pessoas. A lista incluía empresários e representantes de casas de apostas.

Na época, Virginia afirmou que recebeu o pedido com “surpresa e espanto”. Além disso, a defesa disse que se manifestaria após a deliberação da CPI.

A defesa também declarou confiar que Virginia receberia o mesmo tratamento dado a outros influenciadores. Segundo a nota, esses criadores de conteúdo também fizeram publicidade para casas de apostas.

O que diz a Blaze

Por outro lado, a Blaze informou que ainda não recebeu uma intimação formal sobre o processo. A Foggo Entertainment Ltda. responde pela operação da marca no Brasil.

Em nota, a empresa afirmou que segue a legislação e as regulamentações vigentes no país. Além disso, disse que mantém suas operações e parcerias com foco na segurança dos usuários.

“A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país”, informou a empresa em nota para a imprensa.

Por fim, a companhia afirmou que prestará os esclarecimentos necessários após receber a notificação formal. Até o momento, a Justiça não decidiu sobre os pedidos do MPDFT. Virginia Fonseca ainda não se pronunciou sobre o caso.

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