quinta-feira, 29 de outubro de 2026
OPINIÃO

Fome no Brasil: China vai produzir grãos e minérios de que precisar

Partido Comunista que matou milhões de pessoas foi o mesmo que transformou a nação asiática numa potência, enquanto aqui ninguém está preparado profissional e economicamente para perder um freguês tão bom

Nilson Gomespor em
Fome no Brasil: China vai produzir grãos e minérios de que precisar
No entanto, ao contrário do Brasil, o gigante asiático tomou medidas drásticas e cresce sem parar há quase meio século - Foto: Wenderson Araújo/CNA/Trilux

Entre 1959 e 1961 houve na China o que ficou conhecido como “A grande fome”, que matou cerca de 50 milhões de pessoas. Não houve uma estiagem enorme ou pandemia, nada: responsável pelo morticínio foi a política, mais precisamente o comunismo, que trucidou igual número na Rússia. No entanto, ao contrário do Brasil, o gigante asiático tomou medidas drásticas e cresce sem parar há quase meio século. Esses solavancos são decididos nos encontros que o Partido Comunista realiza a cada cinco anos, como o que ocorreu em março passado. Agora, ficou estabelecido que até 2030 o dragão vai produzir as commodities que atualmente importa, por exemplo, aqui de Goiás.

Enquanto a China discute do que seu bilhão e 400 milhões de habitantes precisam, o Brasil sacoleja para sustentar uma democracia que, como as demais, é muito cara, o que leva a algo do início do texto que pode ter passado despercebido: se o comunismo matou de fome 50 milhões de pessoas, como o Partido Comunista pode ter transformado a nação na 2ª mais rica do mundo? Talvez tenha sido porque não fica discutindo os perfumes da Virgínia, que se separou do Vini Jr., que alugou uma casa para farras nos Estados Unidos, onde Daniel Vorcaro patrocinou orgias para autoridades, que estão em campanhas próprias ou de aliados para se manterem no poder.

Em Pequim, o pescoço do dono do Master já estaria separado da cabeça

Se o dono do Banco Master tivesse cometido em Pequim as atrocidades que protagonizou no Brasil, seu pescoço já estaria separado da cabeça. Aqui, a população deseja essas medidas radicais, mas o Estado Democrático de Direito, ficção na China, impede a pena de morte e, até, as de caráter perpétuo, inclusive para quem não tem caráter. Enquanto as violações de direitos humanos na potência asiática agitam o debate no Brasil, eles se interessam pelo crescimento superior a 8% no Produto Interno Bruto da China desde o fim dos anos 1970.

A maior vingança que a China realizou desde que voltou a ser rica foi tomar do Japão a vice-liderança nas listas de maiores economias do planeta. Contra o Brasil, a vindita será em forma de lavoura e garimpo. Devagarinho, mas nem tanto, os chineses vão adquirindo imensas áreas no Mato Grosso, menores apenas que as compradas na África. Sua população parou de crescer, tanto que perdeu para a Índia a primazia de campeã em número de habitantes. O que não cessa de subir é a industrialização e seus efeitos, como a tecnologia, o comércio internacional e o poderio bélico.

No Brasil, estamos em meio à Grande Crise no Agro

No Brasil, ainda não se vive A Grande Fome, porém, estamos em meio à Grande Crise no Agro, pois há três anos os produtores rurais só vêm levando ré, tanto na agricultura quanto na pecuária. E o que está ruim pode piorar muito, pois as brigas do governo federal com os Estados Unidos reduziram a seu menor índice o comércio bilateral, até aparecer o projeto da China de independência em alimentos e minérios. Segundo o IBGE, a safra 2024/2025 colheu 346 milhões de toneladas. Para 2025/2026, a previsão do Ministério da Agricultura é de 358 milhões de toneladas. E a China? Quer no mínimo o dobro disso. Em tese, os chineses têm pouca água para seu quase bilhão e meio de bocas. Eles vão dar um jeito.

A Associação Nacional de Exportadores de Cereais informa que em 2025 o Brasil exportou para a China 87 milhões de toneladas de soja. Só de Goiás foram 15 milhões de toneladas. Se os chineses pararem de comprá-la, o que se vai fazer com tanta soja? Ou com tantos outros grãos? Sabe-se que a água e a qualidade da terra são barreiras terríveis, porém, a tecnologia as contornou no Brasil, que está na Idade da Pedra Lascada em comparação com alguns países asiáticos. Então, com mais facilidade e rapidez a China vai resolver a questão.

Incentivo interno à preguiça torna difícil a situação dos palácios

Ainda não há perspectiva de fome no Brasil devido à independência dos compradores de commodities, como Estados Unidos e China, porém, o incentivo interno à preguiça torna difícil a situação do Palácio do Planalto e do Palácio das Esmeraldas, sedes dos Poderes Executivos federal e estadual. A população mais sensível à quebradeira, a das classes D e E, passou a depender de programas assistenciais dos diversos governos. Em caso de encrenca na arrecadação, as famílias humildes serão diretamente atingidas. O governo brasileiro, como o goiano, recebe hoje e gasta amanhã. Reserva mesmo é igual à da Seleção Canarinho na Copa, está num banco sem nada. O povo, como seus governos, não aguenta perder a China como mercado para desovar minério e grão.

No caso dos garimpos, a China tem tomado as providências necessárias. Uma delas, mais recentemente, foi brigar com o Brasil em razão de o ex-governador Ronaldo Caiado ter se reunido com os Estados Unidos antes da venda das terras raras de Minaçu, no Norte do Estado. Os cientistas chineses gastam o cérebro pesquisando para adaptar as geringonças tecnológicas ao que há no solo do país. Enquanto não acham solução, importam, mas vão tentando até achar. Tomara que demorem a encontrar. (Especial para O HOJE)

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