quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Esquerda

PT reabre disputa por candidato ao governo de Goiás

Direção estadual sustenta o nome de Luis Cesar Bueno, mas Lula busca uma chapa mais competitiva e tenta convencer Adriana Accorsi e Aava Santiago a disputar cargos majoritários

Bruno Goulartpor em
Luis Cesar Bueno
Luis Cesar Bueno foi anunciado em junho como pré-candidato. Foto Sérgio Ricardo Sandes Rocha/Alego

Bruno Goulart

Pouco mais de um mês depois de anunciar o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao governo de Goiás, o PT voltou à estaca da indefinição. O nome escolhido pela direção estadual ainda não recebeu o aval definitivo do comando nacional, enquanto o presidente Lula da Silva busca uma alternativa considerada mais competitiva para montar seu palanque no Estado.

Bueno foi escolhido em 8 de junho pela Executiva Estadual do PT. A decisão também envolveu as legendas que formam o campo progressista em Goiás e tinha como objetivo garantir uma candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. No entanto, o desempenho do petista nas pesquisas aumentou a pressão por uma mudança. Levantamento do instituto Real Time Big Data, divulgado na quinta-feira (9), mostra Bueno com 5% das intenções de voto, na quarta posição. A pesquisa ouviu 1,6 mil eleitores nos dias 7 e 8 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número GO-03751/2026.

Fato novo

Mesmo diante das novas articulações, Luis Cesar Bueno afirma que a definição tomada em Goiás continua válida. Ao O HOJE, ele disse aguardar uma conversa com a direção nacional para entender os próximos passos. “A decisão de Goiás está tomada. É a decisão do diretório estadual, da Federação Brasil da Esperança e dos sete partidos que compõem a frente progressista”, declarou. “Em função desse fato novo, estou aguardando a direção do PT para debatermos isso”, acrescentou.

O “fato novo” citado por Bueno é a tentativa de Lula de construir uma chapa feminina no Estado. Na quarta-feira (8), o presidente se reuniu, por cerca de uma hora e 40 minutos, com a presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi (PT) e a do PSB, vereadora por Goiânia Aava Santiago (PSB). Também participaram do encontro o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O cenário apresentado como ideal por Lula teria Adriana na disputa pelo governo e Aava como candidata a uma das duas vagas ao Senado. Não houve, porém, convite formal, e as duas afirmaram que pretendem concorrer à Câmara dos Deputados.

Nesta sexta-feira (10), Adriana voltou a afastar a possibilidade de concorrer ao governo. Por outro lado, Aava apresentou uma condição para avaliar uma eventual candidatura ao Senado: conhecer seu desempenho em pesquisas. Durante o encontro, a vereadora questionou Edinho Silva sobre a existência de levantamentos que testassem seu nome. “Fiz uma provocação ao presidente Edinho, perguntando isso para eles quererem que eu abra mão da minha candidatura. Aí ele não tinha. O presidente Lula falou: ‘Então roda a pesquisa’”, relatou. A expectativa é que o resultado seja apresentado até segunda-feira (13). Aava, entretanto, ressaltou que o levantamento “não é vinculante” e servirá apenas para compreender melhor o cenário.

A possível candidatura da vereadora é vista pelo grupo de Lula como uma forma de ampliar o diálogo com eleitores jovens e evangélicos. Contudo, a disputa pelo Senado já reúne nomes competitivos. Na pesquisa Real Time Big Data, a ex-primeira-dama de Goiás Gracinha Caiado (União Brasil) aparece com 26%, enquanto o deputado federal Gustavo Gayer (PL) tem 15%. Como duas cadeiras estarão em disputa, o PT pretende medir se Aava teria espaço para crescer e, principalmente, se sua presença na chapa ajudaria a candidatura presidencial de Lula em Goiás.

Enquanto aguarda a definição, Luis Cesar Bueno evita confrontar as duas parlamentares, mas reconhece que a palavra final dependerá da articulação nacional. “Respeito a posição da Adriana e cabe à vereadora Aava Santiago definir. Agora, qualquer candidatura em Goiás depende do chamado do presidente Lula e do Edinho”, afirmou. Dessa forma, embora o diretório estadual sustente que sua decisão já foi tomada, o PT chega à reta final das articulações sem saber quem representará o partido na disputa pelo governo e como será formado o palanque de Lula no Estado.

 

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