Padre que atuou em Anápolis é declarado excomungado após aderir a grupo em ruptura com o Vaticano
Françoá Rodrigues Figueiredo Costa foi ligado à Diocese de Anápolis, comandou paróquia e capelania universitária antes de atuar em uma capela de Ceilândia vinculada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que construiu parte de sua trajetória religiosa em Anápolis, foi declarado em situação de cisma e excomunhão pela Arquidiocese de Brasília. A informação consta em uma nota pastoral assinada pelo cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília, e divulgada na sexta-feira (10).
Segundo o documento, o sacerdote se considera aderente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conhecida pela sigla FSSPX, desde 5 de abril de 2025. A situação se agravou depois que a fraternidade realizou, em 1º de julho de 2026, a ordenação de quatro bispos sem mandato apostólico e contra a vontade do papa. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou um decreto e uma nota explicativa sobre as consequências canônicas do episódio.
A partir desses atos, a Arquidiocese afirmou que Françoá e os demais ministros sagrados da fraternidade estão em situação de cisma (significa que a entidade foi oficialmente separada da ordem da Igreja) e excomunhão. De acordo com a nota pastoral, os atos ministeriais realizados pelo sacerdote após a excomunhão são considerados ilícitos. As absolvições concedidas no sacramento da Penitência e os matrimônios celebrados com a assistência dele são considerados nulos e inválidos.
A manifestação também trata da Capela Santo Atanásio, localizada em Ceilândia, onde o padre desenvolve atividades. A Arquidiocese classificou como irregulares as celebrações, ações pastorais, iniciativas de formação e demais atividades promovidas no local, por entender que elas não ocorrem em comunhão com o papa nem com o arcebispo metropolitano de Brasília.
A recomendação é para que os católicos evitem frequentar o espaço. Na nota, a Arquidiocese de Brasília afirma que celebrações, atividades pastorais, iniciativas de formação ou demais atos promovidos na Capela Santo Atanásio são considerados irregulares e devem ser “terminantemente evitadas pelos fiéis, em razão do grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão”.
- “conservar e progredir na comunhão com o Romano Pontífice e com o Colégio Episcopal, visibilizada, nesta Igreja particular, na comunhão com o Arcebispo Metropolitano, pois a unidade e a comunhão com a Igreja manifestam-se, inseparavelmente, pela profissão da mesma Fé, pela celebração dos mesmos Sacramentos e pela submissão aos legítimos Pastores”;
- “aderir ao Magistério vivo da Igreja como expressão da verdadeira fidelidade à Tradição da mesma Igreja, e a evitarem quaisquer contextos ouou ambientes em que se proponha, implícita ou explicitamente, a ruptura prática da unidade e da comunhão como condição para uma, assim defendida, ‘fidelidade mais perfeita à Igreja'”.
Ligação com Anápolis
Antes de atuar no Distrito Federal, Françoá esteve vinculado à Diocese de Anápolis. Ele foi incardinado na diocese em 2004, mesmo ano em que foi ordenado sacerdote. Na cidade, foi pároco da Paróquia Nossa Senhora D’Abadia e capelão da Capelania Universitária Santa Clara.
O religioso assumiu a capelania em agosto de 2018, durante uma celebração presidida pelo então bispo diocesano Dom João Wilk. O espaço havia sido criado para atender estudantes, professores e funcionários de instituições de ensino superior ligadas à Diocese de Anápolis.
Ao final da nota, o cardeal Paulo Cezar Costa pediu que os fiéis permaneçam em comunhão com o papa, com os bispos e com o Magistério da Igreja Católica.
Sociedade São Pio X
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Sociedade São Pio X se opõe a diversas reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, entre elas o uso das línguas locais nas missas e a ampliação do diálogo com outras religiões.
A Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalista. Entre as principais bandeiras do grupo estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas.
Desde 1988, quando ocorreram ordenações episcopais sem autorização papal, a relação entre o grupo e Roma é marcada por sucessivas crises.
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