OPINIÃO

Celina diz que para resolver caso Master ‘basta seguir o dinheiro’

Governadora do DF, em entrevista à ‘Veja’, chama Michelle Bolsonaro de “joia da nossa coroa”, diz que vai fazer campanha para Flávio, destaca que “não podemos viver de assistencialismo” e diz por que rompeu com seu antecessor Ibaneis Rocha: “Não aceito ingerência”

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 18 de julho de 2026 às 10:53
Celina diz que para resolver caso Master ‘basta seguir o dinheiro’
A governadora Celina Leão é a entrevistada da edição da revista “Veja” que está nas bancas e no portal. No espaço mais tradicional de as personalidades exporem suas ideias, a goianiense que administra o Distrito Federal mostrou que tem muitas - Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

A governadora Celina Leão (PP) é a entrevistada da edição da revista “Veja” que está nas bancas e no portal. No espaço mais tradicional de as personalidades exporem suas ideias, a goianiense que administra o Distrito Federal mostrou que tem muitas. Como sempre, as perguntas para as páginas amarelas foram ácidas, nenhuma levantando bola para político decidir a Copa do Mundo entre Argentina e Espanha. Ou, no caso, entre os dois polos ideológicos, como disse a governadora ao ser indagada se “vai subir no palanque do senador Flávio Bolsonaro”: “Claro. Nós teremos uma eleição entre esquerda e direita, inclusive aqui no Distrito Federal. O PL vai estar comigo no palanque e nós estaremos apoiando o PL, ao lado de Michelle Bolsonaro, que será nossa candidata ao Senado”.

Celina não poupa elogios à ex-primeira-dama, que seria “a joia da nossa coroa”: “A participação de Michelle será fundamental, e não só aqui em Brasília, mas também em nível nacional. Ela não trai nossas ideias, é uma pessoa dura que defende o que acredita, será de suma importância em um eventual segundo turno das eleições presidenciais”.

“Michelle jamais se envolveria em uma disputa de família”

Sobre a rusga entre madrasta e enteado, Celina avalia que “Michelle jamais se envolveria em uma disputa de família” para ser candidata à presidência, a menos que “fosse convidada pelo marido”, Jair Bolsonaro, pois “é maior do que tudo isso” (as brigas internas). Michelle, como o outro favorito ao Senado pelo DF, o ex-governador Ibaneis Rocha, disse que desistiria da vaga. Celina não crê nisso, pelo menos não no caso da amiga: “Tenho certeza de que a Michelle não desistirá de sua candidatura ao Senado. Ela estará conosco. Nós vamos vencer”. Quanto a Ibaneis: “O ex-governador disse que não vai se candidatar, que precisa cuidar da vida dele. É uma decisão pessoal, que precisa ser respeitada, e eu respeito”.

Ibaneis e o escândalo do Banco Master são os dois principais assuntos, até por se entrelaçarem. A entrevistada se manteve firme e deu a receita para resolver o caso: “É só seguir o dinheiro. O dono do Master frequentava todas as camadas da sociedade, se relacionava com todo mundo, provavelmente beneficiou certas pessoas”.

Celina chamou de “muito irresponsável” a declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que antecipou a possível prisão de Ibaneis por envolvimento com o Master. “Fica parecendo que alguém tem informação privilegiada”, analisou a governadora. “Temos que aguardar o final do processo judicial. É prematuro condenar alguém por antecipação.”

Não passou pano

Apesar de defender a presunção de inocência de Ibaneis, Celina não passou pano. Os entrevistadores Hugo Marques e Nicholas Shores perguntaram o motivo de ela ter rompido com o antecessor: “Sei ser governadora também. Não aceito ingerência naquilo que vou fazer. Quero governar com liberdade”. E estabeleceu a distância: “Nós [ela e Ibaneis] somos totalmente diferentes, desde a personalidade até aquilo que eu tenho como foco na gestão”. Depois de dizer que Ibaneis fez “muitas obras”, decretou: “Temos personalidades diferentes e não vou aceitar ser tolhida naquilo que quero fazer. Não se pode confundir sucessão com submissão. O governo vai ter a minha cara, com aquilo que eu acho importante. Eu o respeito, mas quero ser respeitada também”.

Ao se assumir de direita, Celina se mostrou acima dos polos ideológicos ao discutir com integrantes da equipe do presidente Lula as saídas para salvar o BRB, o banco público de Brasília. Ainda assim, manteve as críticas ao governo federal: “Deixou a desejar na recuperação da economia, no controle da inflação, nos juros. O poder de compra do brasileiro está baixo, o preço dos alimentos subiu muito. O endividamento da população está muito alto. E um ponto muito importante: não podemos viver de assistencialismo”.

“É preciso dar uma porta de saída, uma oportunidade”

Avalia que “os programas sociais não podem escravizar os pobres”: “É preciso dar uma porta de saída, uma oportunidade para que as pessoas se qualifiquem e possam conseguir um trabalho”. Mas não foi apenas de Lula e Ibaneis, seu antecessor, que Celina marcou posição para se distanciar. Antes de ser vice e governadora, foi deputada federal e presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, atualmente sob comando de uma trans, Erika Hilton, do PSOL de São Paulo: “Ela [Erika Hilton] está no papel errado. Presidi a Comissão sempre dialogando. Aprovei 81 matérias a favor das mulheres. Ali [a Comissão da Câmara] não é palco para discurso ideológico. O posto exige que você se sente com mulheres de todos os espectros políticos. Infelizmente, hoje virou uma comissão da discórdia. Não vou nem entrar na questão de gênero”. (Especial para O HOJE)

 

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