Celina Leão promete reformular saúde do DF e anuncia revisão salarial para médicos
Ao O Hoje, Celina diz que governo vai integrar sistemas da rede pública, ampliar contratações e enfrentar déficit de até 35% de profissionais para reduzir gargalos na saúde.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) anunciou um conjunto de medidas para reestruturar a saúde pública do DF. Entre as principais ações estão a integração dos sistemas de informação das unidades de saúde, a revisão da carreira e da remuneração dos médicos, a ampliação das contratações e investimentos na modernização da infraestrutura hospitalar.
Segundo Celina, o governo já concluiu um diagnóstico dos principais problemas da saúde e trabalha em soluções estruturais para tornar o atendimento mais eficiente.
Integração dos sistemas
Uma das prioridades da gestão é unificar os sistemas utilizados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais e demais serviços da Secretaria de Saúde.
“Há um problema grave de gestão. Hoje você tem um sistema na UBS que não conversa com o sistema do hospital. Estamos licitando uma rede única para integrar todas essas informações”, disse Celina Leão ao O Hoje.
De acordo com a governadora, a medida permitirá que o histórico dos pacientes seja compartilhado entre as unidades, reduzindo falhas na assistência e melhorando o gerenciamento da rede.
Déficit de profissionais
Celina afirmou que a escassez de servidores é um dos principais obstáculos enfrentados pela saúde pública. Segundo ela, a rede registra diariamente um déficit entre 30% e 35% de profissionais em algumas áreas.
“Nós temos quase todos os dias uma falta de servidores de 30% a 35%. Precisamos entender por que o serviço está adoecendo os profissionais ou melhorar as condições de trabalho. Sabemos que as duas coisas acontecem.”
Para enfrentar o problema, o governo pretende ampliar as contratações e adotar medidas para melhorar o ambiente de trabalho.
Governo promete rever salários
A governadora também anunciou que pretende reformular a carreira médica. Segundo ela, a remuneração praticada atualmente dificulta a permanência dos profissionais na rede pública.
“Hoje o médico pede para sair porque o salário é incompatível com o que ele ganharia no mercado particular. Precisamos investir na estrutura salarial dos médicos e fazer uma reestruturação da carreira.”
Celina afirmou que a intenção é tornar o serviço público mais atrativo. “Nós vamos mexer nesse salário, vamos reestruturar. Queremos que os médicos acreditem na rede pública e venham trabalhar conosco”, explicou.
Contratações abaixo do esperado
Durante a entrevista, a governadora informou que o GDF abriu processo seletivo para 508 médicos, mas a adesão ficou abaixo da expectativa.
“Nós estamos contratando mais 508 médicos. Fizemos um processo seletivo temporário e, até agora, apenas cerca de 30 profissionais tomaram posse.”
Segundo ela, o resultado reforça a necessidade de tornar a carreira mais competitiva para disputar profissionais com a iniciativa privada.
Obras e modernização
Além da recomposição das equipes, Celina destacou investimentos para recuperar a infraestrutura da rede pública.
Entre as intervenções em andamento estão reformas de cozinhas hospitalares, melhorias no Hospital Regional de Taguatinga e obras em cerca de 30 setores do Hospital Regional de Ceilândia.
“A gente sabe que precisa melhorar, mas estamos trabalhando todos os dias. Hoje temos um diagnóstico muito claro dos problemas e estamos agindo para resolvê-los.”
Desafio histórico
A saúde pública do Distrito Federal convive há anos com a pressão causada pelo crescimento da demanda, pela dificuldade de reposição de profissionais e pela necessidade de modernização da rede. Além de atender os moradores do DF, os hospitais públicos também recebem diariamente pacientes de municípios do Entorno, o que amplia a procura por consultas, exames e internações.
Desde que assumiu o governo, Celina Leão tem colocado a saúde entre as prioridades da administração, com medidas voltadas à redução das filas, ampliação da oferta de serviços, fortalecimento da rede hospitalar e melhoria da gestão.
“Não existe resolver todos os problemas em poucos meses. Mas hoje nós sabemos onde estão os gargalos e estamos trabalhando diariamente para mudar essa realidade.”
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