terça-feira, 21 de julho de 2026
Campanha eleitoral

Daniel domina tempo de TV e terá mais espaço que rivais somados em Goiás

Projeção dá 6 minutos e 27 segundos ao governador; esquerda e Marconi ainda aguardam decisão do PDT, enquanto Wilder terá pouco mais de dois minutos

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 20 de julho de 2026 às 21:22
Daniel, Marconi, Wilder e Luis Cesar Bueno
Daniel (MDB), Marconi (PSDB), Wilder (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) são pré-candidatos ao Governo de Goiás.

Bruno Goulart

A ampla aliança partidária deve garantir ao governador Daniel Vilela (MDB) o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita na disputa pelo Governo de Goiás. Pelos cálculos feitos com base na atual composição dos grupos, Daniel teria 6 minutos, 27 segundos e 62 centésimos por programa. O espaço supera a soma dos tempos projetados individualmente para os três principais grupos adversários. Os números, porém, ainda podem mudar com a confirmação das coligações.

O bloco de Daniel reúne União Brasil e PP, responsáveis por 2 minutos, 28 segundos e 19 centésimos; MDB e PSD, com 59 segundos e 54 centésimos cada; Republicanos, com 56 segundos e 89 centésimos; Podemos, com 27 segundos e 77 centésimos; PRD/Solidariedade, com 22 segundos e 48 centésimos; e Avante, com 13 segundos e 21 centésimos.

A divisão do horário eleitoral considera o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados. Pela Lei das Eleições, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente à representação parlamentar, ao levar em conta, nas coligações majoritárias, os seis maiores partidos, e 10% são divididos igualmente.

Esquerda

Na esquerda, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, soma 1 minuto, 59 segundos e 5 centésimos. A Federação PSOL-Rede e o PSB acrescentam 23 segundos e 78 centésimos cada. Sem o PDT, o grupo teria 2 minutos, 46 segundos e 61 centésimos. Caso a legenda apoie o nome petista, por enquanto o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, o bloco passaria a 3 minutos, 13 segundos e 3 centésimos.

Marconi

O destino do PDT também interfere diretamente no tempo de Marconi Perillo. Até agora, o ex-governador conta com a Federação PSDB-Cidadania, que garante 31 segundos e 72 centésimos. Se o PDT integrar a aliança, Marconi chegará a 58 segundos e 14 centésimos. Ainda assim, permaneceria com o menor espaço entre os principais candidatos.

Wilder

Já o senador Wilder Morais terá 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos, provenientes do PL. O Novo integra o grupo, mas não acrescenta tempo porque não alcançou a cláusula de desempenho na última eleição geral. A regra limita o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão para as siglas que não atingem os percentuais mínimos.

Para o estrategista político Marcos Marinho, a televisão continua relevante, mesmo com o crescimento das redes sociais. “O tempo de TV oferece à campanha a possibilidade de interagir com o eleitorado por mais um canal”, afirma. Segundo Marinho, as inserções curtas durante a programação também ampliam a capacidade de repetir mensagens e alcançar públicos diferentes.

O estrategista avalia que Daniel deverá ocupar a maior parte do horário gratuito graças ao grupo reunido em torno da candidatura. Entretanto, ressalta que quantidade não garante resultado. “Ter muito tempo não significa, necessariamente, obter um bom resultado”, diz. O desafio será produzir conteúdo atrativo para preencher mais de seis minutos sem tornar o programa cansativo ou repetitivo.

Peso da TV na campanha

O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé também considera que a TV mantém peso em Goiás. Na avaliação de Zancopé, a situação mais difícil é a de Marconi. “Para não ter nem dois minutos, é uma situação que chega a ser dramática”, afirma.

Com menos de um minuto, o tucano precisará ser objetivo e poderá usar o programa para conduzir o eleitor às redes sociais, por meio de QR Codes e chamadas para conteúdos mais longos. A baixa conversão desse tipo de estratégia, no entanto, também representa um desafio para a campanha.

Por outro lado, Wilder terá espaço para tentar se apresentar como o principal nome da oposição ao grupo de Ronaldo Caiado e Daniel. Segundo Zancopé, o senador deverá usar os pouco mais de dois minutos para buscar o eleitor insatisfeito com o atual governo e reforçar que representa uma alternativa.

Caminho da esquerda

A esquerda, por sua vez, poderá associar a candidatura estadual ao palanque do presidente Lula. Com quase três minutos, ou mais de três, caso receba o PDT, o grupo terá condições de destacar ações do governo federal em Goiás e ligar temas estaduais à campanha presidencial.

Daniel terá mais possibilidades para explorar segurança, educação, saúde, infraestrutura e obras concluídas ou em andamento no Estado. Contudo, o tempo elevado também pode virar uma armadilha se a campanha não conseguir prender a atenção do público. “É uma vantagem muito grande, mas, exatamente por isso, também pode se transformar em uma armadilha”, resume Zancopé. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também