terça-feira, 21 de julho de 2026
Efeito reverso

Nobel de Economia afirma que tarifas de Trump contra o Brasil podem fortalecer Lula; entenda motivos

Paul Krugman diz que tarifas de Trump não terão o efeito esperado sobre o Brasil

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 20 de julho de 2026 às 20:46
Nobel de Economia afirma que tarifas de Trump contra o Brasil podem fortalecer Lula; entenda motivos
Foto: Divulgação

O economista norte-americano Paul Krugman afirmou que as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros não devem alcançar o resultado esperado pelo governo norte-americano. Segundo o vencedor do Nobel de Economia de 2008, as medidas podem produzir um efeito político contrário e fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A análise foi publicada nesta segunda-feira (20), em artigo na plataforma Substack. As tarifas estão previstas para entrar em vigor na quarta-feira (22), conforme anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos.

Por que Krugman acredita que as tarifas terão efeito limitado

No artigo, Krugman afirma que o impacto econômico das tarifas deve ser restrito. Segundo ele, os Estados Unidos dependem da importação de produtos brasileiros, como café, suco de laranja e carne bovina. Por isso, a margem para ampliar restrições seria limitada.

Trump
Foto: Divulgação

Além disso, o economista argumenta que as medidas não devem atingir os objetivos políticos pretendidos pelo governo norte-americano. Conforme escreveu, as tarifas podem contribuir para fortalecer a posição do governo brasileiro no cenário interno.

Krugman também cita avaliação da economista brasileira Monica de Bolle, que já havia defendido que o impacto econômico das tarifas tende a ser limitado.

O papel do PIX na análise do economista

Outro ponto abordado por Krugman é o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. O economista afirma que o governo Trump demonstra preocupação com o avanço do PIX e com modelos semelhantes de pagamento digital.

Segundo ele, o sistema brasileiro representa um exemplo de inovação financeira. Além disso, pode servir de referência para futuras moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Foto: Ricardo Stuckert

Krugman lembra que, em 2025, publicou um artigo no qual classificou o PIX como um exemplo do “dinheiro do futuro”. Agora, ele volta a defender que o sistema brasileiro oferece vantagens em relação aos meios tradicionais de pagamento.

O que o Nobel disse sobre o dólar digital

No texto, Krugman também afirma que o principal desafio ao dólar poderá surgir com o avanço das moedas digitais emitidas por bancos centrais. Como exemplo, ele cita o projeto de euro digital desenvolvido pelo Banco Central Europeu.

Segundo o economista, o Brasil não possui dimensão suficiente para alterar, sozinho, o sistema internacional de pagamentos. No entanto, ele avalia que a adoção de moedas digitais por grandes economias poderá modificar parte das transações atualmente realizadas em dólar.

Ao concluir o artigo, Krugman afirma que as tarifas não devem produzir os efeitos pretendidos pelo governo dos Estados Unidos. Para o economista, a estratégia tende a gerar consequências políticas diferentes das previstas e terá alcance econômico limitado.

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