quinta-feira, 23 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Adeus ao minimalismo? Casa de vó vira tendência entre os jovens

Busca por ambientes mais acolhedores impulsiona uso de madeira, fibras naturais, móveis afetivos e peças artesanais em projetos residenciais

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 22 de julho de 2026 às 23:05
Adeus ao minimalismo? Casa de vó vira tendência entre os jovens
Hibisco Arquitetura

A decoração deixou de buscar apenas ambientes sofisticados e minimalistas para abrir espaço a um conceito que une conforto, identidade e memória afetiva. A chamada “casa com cara de vó” se consolidou como uma das principais tendências do design de interiores, impulsionando a demanda por móveis de madeira, peças artesanais, revestimentos naturais, antiguidades e objetos que contam histórias. Mais do que um estilo, a proposta representa uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a valorizar ambientes acolhedores em meio à rotina acelerada e hiperconectada.

O movimento acompanha uma tendência global de consumo voltada ao bem-estar dentro de casa. Relatórios recentes do Pinterest mostram que a geração Z lidera boa parte das tendências de decoração para 2025 e 2026, com forte crescimento nas buscas por interiores rústicos, casas de campo, decoração de segunda mão, móveis vintage e materiais naturais. A plataforma, que reúne mais de 500 milhões de usuários mensais no mundo, aponta que 65% das tendências previstas para 2025 são impulsionadas justamente pelos jovens.

Casa
Essence Acabamentos

Essa mudança também movimenta diferentes segmentos da economia. Lojas de acabamentos, marcenarias, antiquários, fabricantes de móveis, artesãos e empresas de decoração registram aumento da procura por produtos que unem estética contemporânea e referências afetivas, transformando a nostalgia em oportunidade de negócios.

Decoração afetiva substitui a casa de vitrine

Durante anos, predominou o conceito de ambientes extremamente minimalistas, marcados por linhas retas, excesso de cinza e pouca personalização. Agora, a lógica começa a mudar.

A chamada decoração afetiva prioriza espaços que transmitam pertencimento. Fotografias antigas, livros, cristaleiras, louças herdadas, tapetes feitos à mão, bordados, crochês e móveis restaurados voltam a ocupar lugar de destaque, mas sem abrir mão da funcionalidade e do design contemporâneo.

Segundo o designer de interiores Anderson Caiado, da Essence Acabamentos, o segredo está justamente no equilíbrio entre o clássico e o moderno.

“É possível unir elementos clássicos e afetivos com linhas modernas e sofisticadas, criando espaços atemporais e elegantes. Uma marcenaria contemporânea conversa perfeitamente com uma mesa antiga ou um revestimento natural”, afirma.

Materiais naturais impulsionam novos projetos

Além dos objetos decorativos, os acabamentos passaram a desempenhar papel central nessa tendência. Madeiras em tons quentes, pedras naturais, porcelanatos que reproduzem texturas orgânicas, metais foscos, tecidos naturais, fibras, palha e superfícies acetinadas aparecem com frequência em projetos residenciais.

Para Anderson Caiado, esses elementos ajudam a criar ambientes visualmente mais confortáveis. “As pessoas buscam materiais que tragam sensação de acolhimento. Revestimentos naturais, iluminação indireta e texturas mais suaves deixam os espaços mais humanos e convidativos.”

As plantas também voltaram a ocupar posição de destaque. Integradas à arquitetura, elas reforçam a conexão com a natureza e dialogam com materiais orgânicos, uma combinação que ganhou força após a pandemia e permanece entre as principais escolhas de arquitetos e consumidores.

Essence Acabamentos

Jovens lideram busca por ambientes acolhedores

Embora remeta às lembranças da infância, a estética da casa de vó não é impulsionada pelas gerações mais velhas. Relatórios do Pinterest mostram que a geração Z lidera o interesse por interiores rústicos, decoração econômica, móveis de segunda mão e casas inspiradas no campo. As buscas por “casa econômica” cresceram 488%; por “decoração de segunda mão”, 314%; por “cama de madeira natural”, 859%; e por “casas em tons terrosos”, 1.277%.

A preferência também acompanha uma preocupação crescente com sustentabilidade. Em vez de substituir móveis antigos, muitos consumidores optam por restaurar peças, adquirir objetos em antiquários ou investir em produtos artesanais produzidos localmente.

A combinação entre tecnologia, funcionalidade e memória afetiva mostra que a decoração deixou de seguir apenas padrões estéticos. A casa voltou a ser entendida como espaço de acolhimento, identidade e bem-estar. E, para o mercado, essa mudança de comportamento representa um segmento em expansão, no qual conforto, autenticidade e emoção passaram a ser ativos tão valiosos quanto design e sofisticação.

 

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