Produtos vegetarianos movimentam R$ 1,1 bilhão no Brasil
As vendas de substitutos vegetais para carnes cresceram 38% no Brasil, enquanto Goiás amplia oportunidades para a indústria de alimentos
O mercado brasileiro de produtos vegetarianos e proteínas alternativas vive um momento de consolidação. Depois de deixar de ser um nicho voltado apenas a vegetarianos e veganos, o segmento passou a atrair consumidores que desejam reduzir o consumo de carne sem abrir mão de sabor e praticidade. O resultado é um avanço nas vendas, maior presença nas redes de supermercados e novos investimentos da indústria alimentícia, que vê nas proteínas vegetais uma das principais oportunidades de crescimento dos próximos anos.
Dados do The Good Food Institute (GFI Brasil) mostram que o mercado nacional de substitutos vegetais de carnes e frutos do mar movimentou R$ 1,1 bilhão em vendas no varejo em 2023, crescimento de 38% em relação ao ano anterior. Em volume, o avanço foi de 22%, um dos maiores registrados entre as categorias de alimentos industrializados.
O segmento de bebidas vegetais também manteve expansão. As vendas chegaram a R$ 673 milhões, com crescimento de 9,5% em faturamento, demonstrando que os alimentos plant-based vêm conquistando espaço permanente nas compras dos brasileiros.

Flexitarianos impulsionam a demanda
Ao contrário do que ocorreu nos primeiros anos desse mercado, o crescimento atual não é sustentado apenas por vegetarianos e veganos. A principal força vem dos chamados flexitarianos, consumidores que continuam ingerindo carne, mas procuram diminuir sua frequência e incluir alternativas vegetais na alimentação.
Pesquisa nacional realizada pelo GFI Brasil revela que 26% dos brasileiros consomem carnes vegetais pelo menos uma vez por mês, enquanto 48% já utilizam alternativas vegetais ao leite e seus derivados. O levantamento mostra ainda que 36% da população reduziu o consumo de carne vermelha nos últimos 12 meses. Os principais motivos apontados foram saúde (38%) e o aumento do preço da carne (35%).
Outro dado reforça essa mudança de comportamento. Em pesquisa mais recente com mais de dois mil consumidores brasileiros, o GFI identificou que 39% dos consumidores das classes A, B e C já consomem carnes vegetais, ainda que de forma ocasional. Entre os substitutos vegetais para leite, derivados e ovos, o percentual chega a 60%, sendo que 33% fazem esse consumo semanalmente.
Indústria aposta em inovação e redução de custos
O avanço da demanda levou grandes empresas e startups a ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de proteínas alternativas. Hoje, além dos tradicionais hambúrgueres vegetais, o mercado reúne linguiças, almôndegas, empanados, bebidas vegetais, queijos, iogurtes e refeições prontas produzidas à base de soja, ervilha, grão-de-bico, aveia e outras matérias-primas vegetais.
Apesar da expansão, o setor ainda enfrenta desafios importantes. O próprio GFI Brasil avalia que o mercado entrou em uma fase de amadurecimento e que o crescimento dependerá principalmente da melhoria em fatores como preço, sabor, distribuição, comunicação e adaptação ao hábito alimentar do brasileiro. A entidade considera que ampliar a escala de produção será decisivo para tornar os produtos mais competitivos frente às proteínas tradicionais.

Goiás reúne estrutura para aproveitar expansão
Embora ainda não existam levantamentos específicos sobre o mercado de produtos vegetarianos em Goiás, o estado reúne condições favoráveis para participar desse crescimento.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), Goiás movimentou R$ 110,1 bilhões em produção de alimentos em 2025, respondendo por 7,9% de toda a produção nacional. O setor reúne 1.959 empresas e mantém 110,7 mil empregos diretos, consolidando o estado como um dos principais polos agroindustriais do país.
Esse cenário favorece a diversificação da produção industrial, especialmente em segmentos ligados às proteínas vegetais. Goiás também ocupa posição estratégica na produção nacional de soja, milho e outras culturas utilizadas como matéria-prima para alimentos plant-based, criando oportunidades para agregar valor à cadeia agroindustrial.
Mercado deve avançar nos próximos anos
O mercado de proteínas alternativas ainda representa uma pequena parcela do setor de alimentos brasileiro, mas os indicadores apontam para um processo contínuo de expansão. A combinação entre consumidores mais atentos à saúde, preocupação ambiental, inovação tecnológica e maior oferta de produtos vem transformando o segmento em uma oportunidade de negócios para toda a cadeia produtiva.
Para a indústria, o desafio agora deixa de ser apenas criar novos produtos e passa a torná-los mais acessíveis. A redução de preços, o ganho de escala e o fortalecimento da distribuição deverão definir a velocidade de crescimento do setor nos próximos anos.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.