Interferência

EUA negam tentativa de interferir nas eleições brasileiras após veto a vistos

Governo Trump afirma que missão discutiria liberdade de expressão e integridade eleitoral; Itamaraty barrou entrada de diplomatas no Brasil

Eduardo Silvapor Eduardo Silva em 26 de julho de 2026 às 09:58
EUA negam tentativa de interferir nas eleições brasileiras após veto a vistos
Foto: Marcelo Camargo/ ABr

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou, na noite de sábado (25/7), que tenha planejado qualquer ação para interferir nas eleições brasileiras. Em nota oficial, o governo do presidente Donald Trump afirmou que a viagem de dois representantes da pasta a Brasília, prevista para ocorrer entre os dias 27 e 30 de julho, tinha como objetivo realizar reuniões com integrantes do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil para discutir temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

No comunicado, o governo norte-americano classificou como infundadas as alegações de que a missão teria o propósito de comprometer o processo democrático brasileiro. Segundo a nota, qualquer interpretação de que a visita seria uma tentativa de minar as eleições no Brasil não passa de uma “mentira sem qualquer fundamento”. A viagem, no entanto, não ocorrerá após o Itamaraty negar os vistos ao secretário-assistente Riley M. Barnes e ao subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos integrantes do Departamento de Estado.

O episódio ganhou repercussão depois que o jornal norte-americano The Washington Post informou, com base em relatos de autoridades brasileiras e americanas, que a missão teria a intenção de levantar questionamentos sobre a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro. A reportagem motivou reações do governo brasileiro, que interpretou a iniciativa como uma possível tentativa de interferência no processo eleitoral.

Também neste sábado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que sua assessoria internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita dos diplomatas, mas destacou que o assunto da reunião não havia sido informado previamente. Segundo a Corte, o encontro não chegou a ser agendado em razão do recesso do Judiciário. O tribunal lembrou ainda que o presidente da instituição, ministro Kassio Nunes Marques, promoveu em junho uma reunião com embaixadores para apresentar o funcionamento do sistema eletrônico de votação e anunciou que um novo encontro com representantes diplomáticos, incluindo os dos Estados Unidos, está previsto para 17 de agosto.

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