quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Brasil avança em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda cresce

Desigualdade no Brasil: maioria dos indicadores melhora, mas renda segue concentrada

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Brasil avança em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda cresce
Foto: Divulgação

O Brasil apresentou melhora em 71% dos indicadores acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades em 2026. O levantamento reúne 48 indicadores e avalia áreas relacionadas às condições de vida e às desigualdades no país.

Segundo o relatório, 34 indicadores apresentaram evolução. Outros 13% permaneceram estáveis. Já 16% registraram piora.

Os dados mostram avanços em áreas como desmatamento, desemprego, pobreza, segurança alimentar, homicídios entre jovens e educação. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que problemas relacionados à concentração de renda e à exposição da população a riscos climáticos continuam.

Onde o país conseguiu avançar

Um dos principais resultados aparece na redução do desmatamento. Segundo dados do MapBiomas compilados pelo Observatório, a área desmatada caiu de 2,1 milhões de hectares em 2022 para 984,8 mil hectares em 2025. A redução chegou a 53,4% em relação ao pico registrado na série analisada.

desigualdade
Foto: Divulgação

Além disso, as emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao uso da terra e das florestas também diminuíram. De acordo com o Observatório do Clima, o volume passou de 1,34 bilhão de toneladas de CO₂ em 2023 para 905,6 milhões de toneladas em 2024. A queda foi de 32,5%.

Na segurança alimentar, o percentual de brasileiros que viviam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024, segundo o IBGE.

O levantamento também identificou redução nos homicídios entre jovens de 15 a 29 anos. A taxa passou de 49,7 para 41,9 mortes a cada 100 mil habitantes entre 2021 e 2024. A queda foi de 15,7%.

Mercado de trabalho também mostra mudança

O desemprego apresentou redução entre 2024 e 2025. A taxa de desocupação caiu de 6,6% para 5,6% no período.

Entre as mulheres, a taxa passou de 8,1% para 6,9%. Entretanto, o relatório aponta diferenças entre grupos raciais e de gênero.

Em 2025, o desemprego entre mulheres negras chegou a 8,5%. Entre homens não negros, a taxa ficou em 3,8%, conforme os dados do IBGE utilizados pelo levantamento.

O rendimento médio mensal dos brasileiros também aumentou. Entre 2024 e 2025, a alta foi de 5,3%, levando o valor para R$ 3.376.

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Apesar disso, o crescimento não ocorreu de maneira uniforme entre os grupos. As mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.184 em 2025, abaixo da média nacional e do crescimento registrado entre homens não negros.

Um indicador chama atenção

A concentração de renda apresentou piora no período analisado. Em 2024, a renda média do 1% mais rico da população era 30,2 vezes maior que a renda dos 50% mais pobres.

Em 2025, essa diferença aumentou para 31,5 vezes, segundo dados do IBGE.

Assim, embora o rendimento médio tenha crescido, o levantamento mostra que a distância entre as parcelas mais ricas e mais pobres da população também aumentou.

O relatório aponta ainda que as diferenças permanecem associadas a fatores como raça, gênero, território e condições de moradia.

Riscos climáticos aumentam

Entre os indicadores que pioraram, o principal destaque está relacionado à população exposta a áreas de risco geológico.

Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil, o número de pessoas vivendo em locais sujeitos a deslizamentos e outras ocorrências climáticas passou de 4,36 milhões em 2025 para 4,67 milhões em 2026. O crescimento foi de aproximadamente 7%.

O levantamento aponta que houve expansão das áreas classificadas como de risco. Atualmente, o país possui cerca de 17 mil áreas nessa condição.

A mortalidade materna também apresentou aumento. Após a redução observada no período posterior à pandemia, o índice passou de 52,2 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.

Roraima apresentou o maior índice entre os estados, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.

Indicadores estáveis ainda preocupam

O Observatório também identificou indicadores que permaneceram praticamente estáveis. Entre eles estão a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação sobre a renda.

De acordo com os pesquisadores, esses resultados indicam a necessidade de políticas públicas para produzir mudanças nesses setores.

O relatório conclui que o país apresentou avanços em emprego, renda, acesso a direitos e condições de vida. Entretanto, os dados também mostram que as diferenças socioeconômicas permanecem em diferentes áreas.

Dessa forma, o levantamento registra um cenário com avanços na maioria dos indicadores analisados, mas também com aumento da concentração de renda e manutenção de desigualdades relacionadas a raça, gênero, território e moradia.

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