terça-feira, 18 de agosto de 2026
Saldo negativo!

Bets movimentam R$ 220 bilhões e apostadores perdem R$ 36,9 bilhões em 2025

Apostadores perdem R$ 36,9 bilhões para bets no Brasil em 2025

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Bets movimentam R$ 220 bilhões e apostadores perdem R$ 36,9 bilhões em 2025

Os brasileiros registraram um saldo negativo de R$ 36,9 bilhões em apostas online em 2025, segundo dados do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. O levantamento considera as plataformas autorizadas a operar em nível federal.

Ao longo do ano, essas empresas receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos feitos pelos usuários. Desse total, R$ 183,7 bilhões retornaram aos apostadores por meio de prêmios e bônus sacáveis.

A diferença entre os valores representa o saldo negativo dos jogadores. O resultado corresponde aos recursos que entraram nas plataformas e não retornaram aos apostadores na forma de prêmios ou bônus.

Quanto cada apostador perdeu em média

Segundo os dados divulgados, cerca de 25 milhões de brasileiros fizeram apostas ao longo de 2025.

Considerando esse universo e o saldo negativo de R$ 36,9 bilhões, a perda média chegou a aproximadamente R$ 1.476 por pessoa no ano.

O valor equivale a cerca de 97% do salário mínimo de 2025, fixado em R$ 1.518.

Bet

Entretanto, essa média não significa que todos os apostadores tenham perdido o mesmo valor. O cálculo apenas divide o saldo negativo total pelo número de pessoas que registraram apostas no período.

Em média, 9,25 milhões de pessoas apostaram por mês. O maior movimento ocorreu em outubro, quando 10,82 milhões de apostadores foram registrados.

O período coincidiu com a reta final do Campeonato Brasileiro e com as fases eliminatórias da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana.

Primeira divulgação do Ministério da Fazenda

Os números divulgados pelo Ministério da Fazenda são preliminares e representam a primeira vez que o governo apresenta esse conjunto de dados sobre as apostas autorizadas.

O acompanhamento ocorre por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), que reúne informações sobre os depósitos realizados nas contas das plataformas.

Segundo o levantamento, a receita das casas de apostas correspondeu a 16,7% dos depósitos realizados em 2025.

O percentual supera a retenção máxima de 15% mencionada nas regras do setor e também fica acima da taxa de 7% anunciada pelas empresas de apostas.

A legislação estabelece ainda a distribuição do faturamento entre as empresas e a União. Em 2025, 88% ficaram com as bets, enquanto 12% foram destinados à União e a outras entidades beneficiadas pela regulamentação.

Essa parcela destinada ao poder público e a entidades beneficiárias será ampliada nos próximos anos. Em 2026, chegará a 13%. Já em 2028, a previsão é de 15%.

Além disso, as empresas estão sujeitas à cobrança de impostos federais, estaduais e municipais.

Estimativa aponta prejuízo maior para as famílias

Os números do Ministério da Fazenda não abrangem toda a movimentação estimada no mercado de apostas.

Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), divulgado em julho, apresentou valores superiores.

Segundo o estudo, as casas de apostas receberam R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix durante 2025. O valor supera em aproximadamente R$ 130 bilhões os depósitos registrados pelo Ministério da Fazenda.

O Comsefaz também calculou um saldo negativo de R$ 62,5 bilhões para as famílias.

Nesse cenário, a perda média estimada seria de aproximadamente R$ 2,5 mil por apostador.

Os dois levantamentos utilizam bases diferentes. Portanto, os valores não representam necessariamente a mesma metodologia de cálculo. Os dados da Fazenda consideram os depósitos registrados nas plataformas autorizadas por meio do Sigap. Já a estimativa do Comsefaz considera transferências via Pix relacionadas às apostas.

Assim, os dados disponíveis indicam movimentação bilionária no mercado de apostas esportivas e mostram diferenças entre as estimativas sobre o volume movimentado e as perdas dos apostadores.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também

‘Super El Niño’ pode elevar preços de alimentos e pressionar economia global; entenda

Economia

‘Super El Niño’ pode elevar preços de alimentos e pressionar economia global; entenda

Especialistas projetam El Niño forte até 2027, com possíveis impactos sobre produção, inflaçã...
Economia do Chile não cresce no 2º trimestre e frustra projeções do mercado

Economia

Economia do Chile não cresce no 2º trimestre e frustra projeções do mercado

Chile registra crescimento zero e enfrenta novos desafios na economia
endividadas

ENDIVIDAMENTO EM GOIÁS

Três em cada quatro famílias goianas estão endividadas em 2026, aponta pesquisa

Percentual saltou de 64,2% para 75,8% em um ano em Goiás; cartão de crédito é a principal modali...
Imóveis para lazer ganham espaço entre brasileiros que buscam segunda moradia

MERCADO IMOBILIÁRIO

Imóveis para lazer ganham espaço entre brasileiros que buscam segunda moradia

Pesquisa aponta que interesse por imóveis de lazer mais que dobrou em um trimestre; proximidade com...
Bets

Bets

Fazenda suspende licenças de cinco empresas de apostas e tira 14 sites do ar

Medidas cautelares foram aplicadas por falta de documentos obrigatórios; plataformas devem manter a...
Inflação acumula 4,44% em 12 meses; mercado prevê 5,02% em 2026

Economia

Inflação acumula 4,44% em 12 meses; mercado prevê 5,02% em 2026

Expectativas para IPCA, PIB, dólar e taxa básica de juros permanecem estáveis nesta semana
Goiás constrói mais, mas financiamento afasta famílias da casa própria

Impasse

Goiás constrói mais, mas financiamento afasta famílias da casa própria

Juros, dificuldade de aprovação e falta de incentivos limitam acesso ao crédito, enquanto mercado...
Venda de carros chineses crescem 8 vezes mais que o mercado brasileiro

NEGÓCIOS

Venda de carros chineses crescem 8 vezes mais que o mercado brasileiro

Fabricantes chineses cresceram 146,67% até julho, enquanto o mercado brasileiro avançou 19,03%