‘Super El Niño’ pode elevar preços de alimentos e pressionar economia global; entenda
Especialistas projetam El Niño forte até 2027, com possíveis impactos sobre produção, inflação e crescimento
O fenômeno conhecido como El Niño pode provocar efeitos que vão além das mudanças no clima. O episódio que está se formando no Oceano Pacífico tem potencial para afetar a produção de alimentos, os preços ao consumidor e os gastos com recuperação de áreas atingidas por eventos extremos.
De acordo com as informações apresentadas no levantamento, anos de El Niño costumam registrar redução na oferta de determinados alimentos. Isso ocorre porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
Consequentemente, uma menor oferta pode pressionar os preços. O impacto pode chegar ao consumidor e aumentar os custos de alimentação.
Além disso, os efeitos econômicos não ficam restritos ao setor agrícola. Eventos extremos também podem danificar estradas, casas e outras estruturas. Dessa forma, governos, empresas e produtores precisam destinar recursos para reparar os danos.
O impacto pode começar no campo
A agricultura está entre os setores que podem sentir os efeitos do fenômeno. Quando uma seca, uma enchente ou uma onda de calor compromete uma plantação, a produção diminui.
A redução da oferta pode alterar os preços dos produtos. Portanto, o impacto climático pode chegar à economia por meio da cadeia de produção e distribuição de alimentos.
Esse processo também pode atingir produtores. Além da perda da safra, empresas e trabalhadores podem enfrentar interrupções nas atividades.

O efeito, entretanto, varia de acordo com a região e com o produto afetado. O levantamento destaca que ainda não é possível determinar exatamente quais áreas sofrerão os maiores impactos econômicos.
Enchentes também aumentam os custos de reconstrução
Outro efeito ocorre fora das propriedades rurais. Chuvas intensas, enchentes e outros eventos extremos podem provocar danos à infraestrutura.
No Rio Grande do Sul, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de uma estrada. A reconstrução foi estimada em R$ 700 milhões. Dois anos depois, o local ainda permanecia em obras.
Além dos gastos com obras, os eventos extremos podem gerar perdas para empresas e produtores. A interrupção de estradas, por exemplo, pode dificultar o transporte de mercadorias e comprometer atividades econômicas.
No cenário global, os prejuízos provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares, segundo as informações apresentadas no material.
Menor oferta de alimentos pode pressionar inflação
A combinação entre perdas na produção e aumento dos gastos com reconstrução pode gerar pressão sobre a economia.
Primeiramente, eventos climáticos podem reduzir a quantidade de determinados alimentos disponíveis no mercado. Em seguida, a menor oferta pode provocar aumento de preços.

Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam direcionar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas.
Assim, o impacto econômico pode ocorrer em diferentes etapas. O evento climático afeta a produção. A menor oferta pressiona os preços. Depois, os danos à infraestrutura elevam os custos de recuperação.
Esse conjunto de fatores também pode afetar o crescimento econômico, conforme a avaliação apresentada no levantamento.
Fenômeno pode atingir diferentes regiões
O El Niño ocorre a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e provoca mudanças na circulação atmosférica. Como consequência, diferentes regiões do planeta podem registrar alterações no regime de chuvas e nas temperaturas.
No episódio atual, o fenômeno ocorre em um planeta que já apresenta temperaturas mais elevadas em razão do aquecimento global.
As previsões citadas no material apontam mais de 90% de chance de formação de um El Niño muito forte. A expectativa é que o fenômeno alcance o pico em dezembro e possa permanecer forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.
Entretanto, os impactos não serão necessariamente iguais em todas as regiões. As previsões devem ganhar precisão conforme o fenômeno avance. Com isso, os cientistas poderão identificar com maior clareza os períodos e locais mais suscetíveis aos efeitos climáticos.
Por enquanto, o cenário indica que o fenômeno pode afetar diferentes setores da economia. Entre eles estão a produção de alimentos, a infraestrutura e os custos relacionados à recuperação de áreas atingidas por eventos extremos.
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