Entre memória e futuro, Aparecida de Goiânia ganha novo instituto
Com inauguração prevista para novembro, ITAME reúne tecnologia, acervo histórico e espaços interativos para contar a formação da cidade
A história de Aparecida de Goiânia poderá ser percorrida como quem atravessa diferentes tempos da cidade. Em vez de vitrines organizadas apenas em torno de documentos e objetos, um novo espaço cultural aposta em projeções, holografia, inteligência artificial e cenários interativos para apresentar desde o Cerrado que antecedeu a ocupação urbana até uma pergunta ainda sem resposta: como será o município nas próximas décadas?
É essa a proposta do Instituto Tanner de Melo (ITAME), que será inaugurado em novembro, no Centro de Aparecida de Goiânia. O espaço foi concebido para unir memória, arquitetura e recursos digitais em um percurso no qual o visitante deixa de apenas observar o passado e passa a interferir em parte da experiência.
A narrativa começa antes da formação política do município. O primeiro ambiente remete ao Cerrado e à paisagem que ajuda a explicar a ocupação da região. Depois, o percurso passa pela religiosidade presente na origem da cidade, pelo cotidiano dos primeiros moradores e pelo movimento que resultou na emancipação de Aparecida de Goiânia, oficializada em 1963.
Nesse trecho, Tanner de Melo ocupa o lugar central. Primeiro prefeito eleito do município e um dos nomes envolvidos no processo de emancipação, ele também atuou como poeta, músico e evangelizador. Sua história dá nome ao instituto e aparece por meio de documentos, manuscritos, fotografias, objetos pessoais e composições musicais reunidos na exposição permanente.
“Para Aparecida, Tanner foi tudo. A emancipação da cidade foi a realização de um sonho. Ele acreditava profundamente no futuro desta terra e das pessoas que viviam aqui”, afirma Maria Elias, tabeliã e registradora de imóveis, que foi esposa de Tanner durante três décadas e participou da preservação de seu acervo.
Da memória para o que ainda não aconteceu
Se uma parte do instituto olha para aquilo que já ocorreu, o fim do percurso transfere ao visitante a tarefa de imaginar o que ainda pode existir.
O ambiente dedicado ao futuro será interativo. Crianças, jovens e adultos poderão pintar desenhos selecionados e ver essas criações projetadas em uma grande parede digital. A ideia é fazer com que a representação da cidade deixe de ser apenas construída pelos responsáveis pela exposição e ganhe também a participação de quem passa pelo espaço.
“Envolver o visitante nas experiências promovidas pelo espaço gera encantamento e cria um sentimento de pertencimento com a população local”, afirma Wil Caravanti, da Straub Design, empresa responsável pela criação e execução do projeto.
Tecnologias como holografia, projeções em grande escala e inteligência artificial aparecem ao longo do trajeto como recursos narrativos. O objetivo não é substituir o acervo histórico, mas utilizá-lo em diálogo com linguagens capazes de aproximar diferentes gerações da história local.
A escolha acompanha uma transformação observada em espaços de memória que passaram a investir em experiências participativas, nas quais a informação é distribuída entre imagens, sons, cenografia e interação. No ITAME, essa estratégia será utilizada para conectar períodos distintos da formação de Aparecida de Goiânia.
Um prédio pensado para fazer parte da visita
A própria arquitetura foi incluída nesse raciocínio. Assinado pelo arquiteto Erich Martins, o edifício foi projetado para funcionar também como elemento visual no Centro da cidade. A construção não foi pensada apenas como estrutura para abrigar a exposição, mas como parte da experiência proposta pelo instituto.
Além do percurso permanente, o ITAME terá salas multiuso, café, espaço para exposições temporárias e uma biblioteca aberta à comunidade.
O acervo da biblioteca será formado por doações de pessoas e instituições e reunirá livros destinados a crianças, adolescentes e adultos. O empréstimo será gratuito, ampliando o uso do local para além das visitas à exposição.
A abertura do instituto também cria um novo endereço cultural em uma cidade cuja expansão urbana transformou rapidamente sua paisagem. Nesse contexto, reunir documentos e lembranças dos primeiros moradores significa registrar uma história que poderia se dispersar à medida que a cidade muda.
Ao mesmo tempo, o projeto evita tratar essa memória como algo encerrado. O percurso parte do Cerrado, passa pela emancipação e chega a uma sala em que os próprios visitantes projetam imagens de um futuro possível. Entre essas duas pontas está a tentativa de mostrar que a história de uma cidade não termina quando seus documentos são arquivados.
Com entrada gratuita, as visitas ao ITAME serão feitas mediante agendamento pelo site oficial do instituto. A inauguração está prevista para novembro, no Centro de Aparecida de Goiânia.
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