Brasil e EUA reabrem negociação comercial após tarifaço de Trump
Retomada das conversas ocorre após contato entre Lula e Trump e em meio à cobrança brasileira para rever as sobretaxas aplicadas aos produtos nacionais
Brasil e Estados Unidos voltam à mesa de negociação nesta segunda-feira (31), em uma tentativa de avançar nas discussões sobre as barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano às exportações brasileiras. O diálogo será retomado depois da conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto, quando os dois presidentes acertaram a continuidade das tratativas entre as equipes dos respectivos governos.
O impasse ganhou força no fim de julho, quando Washington passou a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Além dessa medida, os Estados Unidos aplicaram outra sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de que o Brasil não estaria adotando medidas suficientes contra o trabalho forçado. Segundo o governo brasileiro, a justificativa utilizada para essa segunda cobrança é questionável e teria sido construída para sustentar novamente tarifas que haviam sido derrubadas pela Suprema Corte norte-americana.
A sobretaxa específica contra o Brasil também é contestada por Brasília. O governo de Trump fundamentou a medida em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais em áreas como pagamentos eletrônicos e acesso ao mercado brasileiro de etanol.
O governo brasileiro rejeita esses argumentos e sustenta que as medidas adotadas pelos Estados Unidos possuem motivação política. Durante as negociações anteriores, segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representantes norte-americanos chegaram a defender uma abertura ampla do mercado brasileiro sem apresentar contrapartidas equivalentes.
A disputa comercial ocorre ainda em um cenário de maior competição pela influência econômica na América Latina. O avanço da presença chinesa na região é apontado como um dos fatores que ajudam a explicar a estratégia de Washington para ampliar sua atuação no continente. Para o governo brasileiro, o episódio também tem uma dimensão política interna, diante da proximidade das eleições gerais de outubro.
A expectativa agora é que a retomada das conversas permita discutir tanto a retirada ou redução das tarifas quanto os pontos comerciais apresentados pelos Estados Unidos. O resultado das negociações, porém, dependerá da disposição dos dois lados em apresentar concessões e chegar a um acordo.
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