Começa a última semana para a oposição reagir e evitar 2022
Governo tem adversários fortes, um foi quatro vezes governador, outro está no cargo por desmentir pesquisas com as urnas e ainda o representante de Lula, fortíssimo em Goiás mesmo sendo o Estado mais bolsonarista do Brasil
Os políticos contrários ao Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo em Goiás, sempre foram menos ousados que o povo que gostariam de representar. No fim de semana, o 1º com a exibição de vídeos e áudios na campanha, mostrou que não há mais tempo a perder. Aliás, ou a oposição aproveita esta semana ou seu único tempo vai ser o de perder a eleição, pois o tempo ela já perdeu. E quem mostra isso? O tempo. Acompanhe.
Em 1970, a votação para governador continuava indireta, mas havia três vagas em jogo, as do Senado. Foram três concorrentes de cada lado e, mesmo prevendo-se uma derrota acachapante dos que combatiam o regime militar, o resultado foi pau a pau: meia dúzia na faixa dos 200 mil votos cada. O trio do PMDB, a oposição consentida, acabou muito bem votado, Raul Balduíno de Souza com 260.272; Pedro Ludovico Júnior, com Onofre Quinan de suplente e 249.472; Gerson de Castro Costa, 234.734. A Arena ficou com as três cadeiras: Osires Teixeira 282.296, Benedito Boa Sorte 282.685 e Emival Caiado 278.640. O que faltou para a oposição? Muita coisa, mas principalmente fé no triunfo sobre a ditadura. A diferença entre o tio do hoje presidenciável Ronaldo Caiado sobre Raul foi de 1,15%. Em 2022, a família Caiado voltou a se beneficiar da falta de coragem de seus adversários.
Dos então 22 Estados, a ditadura perdeu em 16, inclusive em Goiás
Primeiro, voltemos à eleição seguinte àquela, a de 1974, período que o jornalista Elio Gaspari chamou em livro de “A ditadura derrotada”. Exatamente o que ocorreu. Dos então 22 Estados, o regime perdeu em 16, inclusive em Goiás, pois Lázaro Barbosa ganhou de Manoel dos Reis, o Mané Fogueteiro, que foi prefeito de Goiânia, mesmo ostentando como suplente Jamel Cecílio, que virou nome da “rua do Flamboyant”. O repórter de O HOJE conversou, ao longo das últimas quatro décadas, com os personagens aqui citados. Crer que era possível ganhar foi um dos diferenciais. Simplesmente eles perderam o medo de quem estava no governo.
São duas lições que servem para duas eleições, a de 2022 e a deste ano. Naquela, o então governador Ronaldo Caiado entrou em campo já goleando. Estava aprovado por mais de 80% dos entrevistados por institutos de pesquisa. Isso atemorizou o principal líder de oposição, Marconi Perillo, que saiu candidato ao Senado e acabou perdendo pela 2ª vez seguida. Nem PT e PL, liderados nacionalmente pelos dois que lideravam a corrida ao Palácio do Planalto, arriscaram um de seus quadros principais para encarar Caiado: os petistas lançaram Wolmir Amado, ex-reitor da PUC-GO, que tirou 6,98%, menos votos que deputado federal. O PL foi de Vitor Hugo, que hoje é vereador em Goiânia, e conseguiu pouco mais que o dobro do PT, 14,81%.
O que fez a oposição? Repetiu o equívoco
O que fazia a turma tremer era a possibilidade de Caiado repetir nas urnas a popularidade comprovada pelas pesquisas. Não aconteceu. Foi tamanha a diferença que quase havia 2º turno. Por muito pouco, mesmo. Menos de 1%: se Gustavo Mendanha, que nem candidato a presidente tinha, tivesse tirado 0,92% de Caiado, estaria no 2º turno. O maior erro havia sido o de deixar Caiado sem oposição durante o 1º mandato inteiro. O que fez a oposição? Repetiu o equívoco: Caiado teve mais quatro anos sem qualquer entrave. Ainda assim, está se repetindo a oportunidade: o ex-governador renunciou no fim de março e largou o cargo na mão de Daniel Vilela (MDB), que está tentando a reeleição e sequer se aproxima da metade da aprovação deixada pelo antecessor. Ainda assim, a oposição permanece na moita.
Percebe-se que os moradores ainda supõem que Caiado seja o governador, daí, inclusive, seus índices para presidente em Goiás estarem longe do imaginado. Daniel derrubou a possibilidade de Caiado ter a maioria de votos de lulistas, bolsonaristas, emedebistas e tudo quanto é ista. O único setor da administração que tirava eleitor de Caiado era a saúde. Ainda é, pois Daniel teve como única grande ideia derrubar o Hospital de Urgências de Goiás (antigamente, o nome era Hospital de Urgências de Goiânia). Duas fontes ligadas à negociação confirmaram a O HOJE que Daniel mantém os documentos já assinados para adquirir um prédio da Oncoclínicas no Conjunto Fabiana. A impagável dívida do Estado será acrescida de meio bilhão de reais.
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Primeiros dias revelaram que a eleição anterior pode ser repetida
Imaginava-se que a munição de Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) estava guardada e os tiroteios, a partir deste mês, seriam incessantes. Coisa nenhuma
A impressão é de conluio entre a oposição e o governo, tamanha a lerdeza de quem deveria combater as iniquidades e se cala. Os primeiros dias de campanha oficial no rádio e na TV revelaram que a eleição anterior pode ser repetida. Imaginava-se que a munição de Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) estava guardada e os tiroteios, a partir deste mês, seriam incessantes. Coisa nenhuma. São adversários fortes, mas estão mais fracos que choque de pilha vencida.
Marconi foi quatro vezes governador e ainda tenta esboçar alguma reação, mesmo de modo canhestro, mas não tem o menor cacoete para bater, pois o longo tempo como vidraça levou seus dons de estilingue. Outro, Wilder, está no cargo por desmentir pesquisas com as urnas de 2022, em que de uma semana para outra passou de 6º colocado para dono do único assento em disputa para o Senado. O candidato do PL leva todo tipo de golpe dos governistas e não devolve, não se vinga, não parte para o MMA. Há ainda o representante de Lula, e o atual presidente é fortíssimo em Goiás mesmo sendo o Estado mais bolsonarista do Brasil. Bueno deveria estar em ação beligerante deliberada, como o PT nacional contra Flávio Bolsonaro, o presidenciável do PL.
O que não falta é governo querendo bater
A ausência absoluta de obras, as trapalhadas com aquisições de prédios para centro administrativo e hospital, a falta de política para os endividados do campo e da cidade e as intrigas internas deveriam ser capitalizadas pela oposição. Em 1974, ela mostrou aos militares que eles não eram imbatíveis. Em 1982, provou que mesmo o regime tendo quadros de qualidade (os governos de outro Caiado, Leonino, e Irapuan Costa Jr. haviam sido muito bons) era possível derrotá-los. Em 1998, Iris Rezende era o Palmeiras de São Paulo e perdeu para um Palmeiras de Goiás. Em 2018, Marconi Perillo, Wilder Morais e Lúcia Vânia conseguiram ser surrados por Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru. Se quiser apanhar e concordar com a surra, o que não falta é governo querendo bater. (Especial para O HOJE)
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