quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Economia

Comissão adia votação da MP que acaba com a ‘taxa das blusinhas’

Votação sobre fim da ‘taxa das blusinhas’ fica para terça-feira no Congresso

Otavio Augustopor em
Comissão adia votação da MP que acaba com a ‘taxa das blusinhas’

A comissão mista do Congresso Nacional responsável por analisar a medida provisória (MP) que prevê o fim da chamada “taxa das blusinhas” adiou a votação do texto. A análise, inicialmente prevista para esta segunda-feira (31), ficou marcada para terça-feira (1º).

O presidente do colegiado, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), afirmou que o adiamento permitirá a definição dos últimos pontos do relatório. A proposta estabelece o fim da cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Além disso, a medida precisa ser aprovada pela comissão mista e, posteriormente, pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O prazo de validade da MP termina em 8 de setembro.

 

 

 

Governo tenta destravar proposta antes do prazo

A tramitação da medida ganhou andamento após um acordo político entre o Palácio do Planalto e as presidências da Câmara e do Senado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Após o encontro, houve entendimento para que o Congresso analisasse a proposta antes do fim do prazo.

A comissão havia sido instalada no início de agosto. No entanto, a definição dos principais cargos demorou a ocorrer, o que manteve a MP sem avanço no Legislativo.

Agora, Reginaldo Lopes ocupa a presidência do colegiado. A senadora Leila Barros (PDT-DF) atua como relatora.

votação

A medida também ganhou espaço no debate político porque o fim da cobrança pode ser utilizado pelo governo durante a campanha eleitoral de 2026. Lula pretende disputar a reeleição.

O que muda nas compras internacionais

A chamada “taxa das blusinhas” corresponde à cobrança de 20% de Imposto de Importação aplicada a compras internacionais de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme.

A MP prevê a retirada dessa cobrança para esse grupo de compras. Já os produtos com valor superior a US$ 50 continuam sujeitos à alíquota de 60% do Imposto de Importação, conforme as regras mencionadas na proposta.

A mudança, porém, enfrenta resistência de setores do comércio brasileiro.

 

 

 

Empresas do varejo defendem a manutenção da tributação. O argumento é que a cobrança ajudaria a reduzir a diferença de custos entre empresas nacionais e plataformas estrangeiras que vendem produtos diretamente aos consumidores brasileiros.

Relatora prepara mecanismos para acompanhar impactos

Diante da pressão do setor produtivo, a relatora Leila Barros decidiu incluir alterações no texto da MP.

A proposta deve estabelecer uma avaliação periódica dos efeitos do fim da cobrança sobre a indústria brasileira. Inicialmente, a análise poderá ocorrer a cada três meses. Depois, o intervalo passaria para seis meses.

66908277-30bc-44d4-bf37-b070996f4841 (1)

A avaliação, contudo, não deverá alterar a isenção prevista para compras internacionais de até US$ 50.

O mecanismo terá como objetivo acompanhar os efeitos da mudança sobre o mercado nacional. A partir dos resultados, o governo poderá apresentar medidas para reduzir eventuais impactos sobre empresas brasileiras.

Reginaldo Lopes afirmou que a proposta busca conciliar os interesses dos consumidores e do setor produtivo. Segundo o deputado, a indústria reivindica igualdade tributária e regulatória, enquanto os consumidores de menor renda também devem ter acesso a produtos internacionais.

Disputa envolve consumidores e varejo nacional

A discussão sobre a medida reúne interesses distintos.

De um lado, consumidores podem ser beneficiados pela redução do custo de compras realizadas em plataformas internacionais. De outro, representantes do varejo afirmam que a ausência da tributação pode ampliar a concorrência com produtos importados.

O setor também aponta a entrada de produtos estrangeiros, principalmente de origem chinesa, como um fator de pressão sobre empresas instaladas no Brasil.

Por isso, o texto em discussão tenta criar mecanismos para acompanhar os efeitos da mudança. A intenção é avaliar o impacto sobre a indústria sem alterar, inicialmente, o fim da cobrança de 20%.

Medida volta ao Congresso em momento político

A tramitação da MP ocorre em meio à aproximação entre Lula e os presidentes da Câmara e do Senado.

O presidente e Davi Alcolumbre haviam se distanciado após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Agora, o acordo entre os Poderes permitiu a retomada da discussão sobre a medida provisória.

Depois da votação na comissão mista, caso seja aprovada, a proposta ainda precisará passar pelos plenários das duas Casas. O Congresso terá, portanto, poucos dias para concluir a análise antes do prazo final de validade da MP.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Câmara comércio exterior compras internacionais congresso nacional imposto de importação Lula Remessa Conforme Senado taxa das blusinhas varejo

Veja também

Agronegócio de Goiás cresce 20,5% em 11 anos e amplia oportunidades de negócios

NEGOCIOS

Agronegócio de Goiás cresce 20,5% em 11 anos e amplia oportunidades de negócios

O agronegócio movimentou R$ 135,6 bilhões em Goiás em 2023 e respondeu por 40,3% do PIB estadual ...
Ovo

Alimentos

Goiás produz 128 milhões de dúzias de ovos no 1° semestre

Estado registra o segundo melhor resultado da série histórica para os primeiros seis meses do ano
Setor de serviços recua 0,1% em agosto, mas mantém alta no acumulado do ano

ECONOMIA

Setor de serviços recua 0,1% em agosto, mas mantém alta no acumulado do ano

Dados do IBGE mostram queda mensal após estabilidade em julho; atividades turísticas avançaram 2,...
Britânia recebe autorização para exportar melancia, melão e abóbora

GENUINAMENTE GOIANAS!

Britânia recebe autorização para exportar melancia, melão e abóbora

Município goiano passou por seis meses de monitoramento contra pragas e poderá atender mercados co...
Prazo para devolução de R$ 1,3 bilhão a apostadores termina nesta quarta (14)

ECONOMIA

Prazo para devolução de R$ 1,3 bilhão a apostadores termina nesta quarta (14)

Cerca de 26,5 milhões de pessoas podem receber valores retidos após o encerramento de plataformas ...
Brasileiros ainda têm R$ 5,79 bilhões para resgatar em bancos; descubra como consultar

Atenção na economia

Brasileiros ainda têm R$ 5,79 bilhões para resgatar em bancos; descubra como consultar

Banco Central contabilizou os valores até agosto de 2026; consulta gratuita permite que pessoas fí...
agronegócio

Produção

PIB do agronegócio puxa economia goiana e chega a 40%

Levantamento do IMB mostra que a produção primária cresceu quase 56% na última década
Rebanho menor em Goiás exige atenção às contas das fazendas

AGRONEGÓCIOS

Rebanho menor em Goiás exige atenção às contas das fazendas

Estado registra terceira queda consecutiva no número de bovinos; especialista explica por que recor...