quinta-feira, 15 de outubro de 2026
CRESCIMENTO

Indústria brasileira cresce 0,2% em julho após dois meses de queda

Setor avançou 0,2% no mês, após duas quedas consecutivas, mas resultado anual e comparação com 2025 mostram ritmo ainda fraco

Luma Silveirapor em
Indústria brasileira cresce 0,2% em julho após dois meses de queda
Apesar da reação, o setor teve desempenho negativo na comparação anual: a produção ficou 0,5% abaixo de julho de 2025 | Foto: Divulgação

A indústria brasileira conseguiu interromper uma sequência de dois meses de retração, mas o resultado de julho ainda aponta para um cenário de crescimento bastante moderado. A produção avançou 0,2% em relação a junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da reação, o setor teve desempenho negativo na comparação anual: a produção ficou 0,5% abaixo de julho de 2025. A média móvel trimestral também recuou, em 0,8%, sinalizando que a melhora registrada no último mês ainda não representa uma mudança consistente na trajetória recente da atividade industrial.

Com o resultado de julho, a indústria acumula crescimento de 1,1% em 2026 e de 0,6% em 12 meses. O próprio IBGE classificou o resultado acumulado como uma “ligeira perda de ritmo” diante da expansão de 0,7% registrada até junho.

O comportamento ao longo do ano mostra a oscilação do setor. A produção cresceu 2,1% em janeiro, 1% em fevereiro, 0,1% em março e 1,2% em abril. Depois vieram as quedas de 1% em maio e 1,6% em junho, antes da alta de 0,2% registrada em julho.

A recuperação também não foi uniforme entre os segmentos. Três das quatro grandes categorias econômicas tiveram crescimento no mês: bens de consumo duráveis, com alta de 3,2%; bens de capital, que avançaram 2,4%; e bens de consumo semi e não duráveis, com aumento de 0,5%. Na direção contrária, os bens intermediários recuaram 0,2%.

Entre as atividades pesquisadas, 13 das 25 registraram aumento. O maior avanço foi de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com 12,2%. Também tiveram altas expressivas outros equipamentos de transporte (11,2%) e produtos do fumo (11,1%). A produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis cresceu 1,1%, enquanto alimentos avançaram 1%.

Também houve expansão em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,3%) e na fabricação de produtos do vestuário e acessórios (2,6%).

Na outra ponta, a indústria extrativa apresentou a principal contribuição negativa, com queda de 1%. Também pesaram sobre o resultado a atividade de impressão e reprodução de gravações, que despencou 17,2%, produtos diversos (-9%), metalurgia (-1,4%), celulose, papel e produtos de papel (-1,3%) e produtos químicos (-0,8%).

Mesmo com a alta mensal, a produção industrial ainda está 2,1% acima do nível registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. O cenário é bem diferente quando comparado ao pico histórico do setor: o resultado de julho permanece 15% abaixo do recorde alcançado em maio de 2001.

Outro dado do IBGE ajuda a dimensionar a melhora de julho. O índice de difusão apontou que 69,6% dos 789 produtos pesquisados tiveram crescimento em relação ao mês anterior. Foi o segundo maior percentual do ano, atrás apenas de março, quando 80,6% dos produtos apresentaram avanço.

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