“A eleição vai ser uma guerra”, afirma Boulos em encontro com esquerda em Goiânia
Ministro de Lula reuniu militância em Goiânia, criticou direita e pediu mobilização para ampliar votação de Luis Cesar Bueno; petista aparece com 10,7% na pesquisa AtlasIntel
Bruno Goulart
“A eleição vai ser uma guerra.” Foi com esse tom que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, definiu nesta quinta-feira (3) o clima que espera para a disputa eleitoral de 2026. Em Goiânia, um dos coordenadores da estratégia de reeleição do presidente Lula da Silva participou de uma reunião com a militância de esquerda e pediu mobilização para fortalecer as candidaturas do grupo em Goiás, principalmente a de Luis Cesar Bueno (PT) ao governo estadual.
A declaração ocorreu durante encontro realizado às 18h, em um hotel no Jardim Goiás, após Boulos visitar uma obra do governo federal na capital. A reunião contou com a presença da presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, o deputado estadual Mauro Rubem (PT), as candidatas ao Senado Cintia Dias (PSOL) e Isaura Lemos (PSB), candidatos a deputado estadual e federal, além de Delubio Soares, um dos fundadores do PT. Dezenas de moradores do acampamento Dona Lindu, de Caldas Novas, também participaram.
Ao falar sobre os próximos passos da campanha, Boulos afirmou que a disputa não será limitada ao confronto entre Lula e os candidatos da direita. “Porque não é só o Lula contra o Flavio Bolsonaro. Se fosse isso, estava fácil”, disse. Na avaliação do ministro, a eleição também envolverá a disputa por projetos para o país e interesses internacionais. Boulos citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as discussões sobre terras raras como exemplos do que considera estar em jogo. “É o Lula contra o desejo do Trump de tomar conta do Brasil”, afirmou.
O discurso, no entanto, também teve forte componente estadual. Boulos pediu que os militantes transformem a presença de Lula em votos para os candidatos aliados em Goiás. Como o presidente não consegue estar em todos os municípios ao mesmo tempo, o ministro disse que caberia à militância assumir esse papel. “Vocês têm que ser a voz do Lula, a cara do Lula, o rosto do Lula, a posição do Lula em cada canto do Estado de Goiás”, afirmou.
A orientação ganhou força diante do resultado da pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira. Luis Cesar Bueno aparece com 10,7% das intenções de voto para o governo de Goiás, em quarto lugar. O candidato do PT está atrás de Daniel Vilela (MDB), que lidera com 43,5%, Wilder Morais (PL), com 20,1%, e Marconi Perillo (PSDB), com 16,1%. Em levantamentos anteriores, o petista aparecia com 4%.
Ataques a Caiado
Boulos também mirou o grupo político do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência. Para o ministro, a melhor resposta da esquerda ao atual grupo que comanda o Estado seria eleger Luis Cesar para o governo. “Vocês sabem qual vai ser a melhor resposta para o Caiado? Eleger o Luis Cesar governador”, disse.
Luis Cesar também aproveitou o encontro para defender que o eleitorado de Lula em Goiás representa uma força política que não pode ser ignorada. O candidato lembrou que o presidente recebeu 41,25% dos votos no Estado em 2022, o equivalente a cerca de 1,54 milhão de votos. A estratégia do PT é manter esse eleitorado unido e fazer com que os votos de Lula sejam também direcionados para a candidatura de Luis Cesar. “A tarefa nossa agora é garantir que nenhum voto do Lula vá para o outro lado”, afirmou o candidato.
Governo Lula como argumento
Antes do encontro com a militância, Boulos visitou o Residencial Iris Rezende, em Goiânia, empreendimento do Minha Casa, Minha Vida. O conjunto terá 720 apartamentos de 48 metros quadrados quando estiver concluído. Boulos afirmou que 170 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida foram contratadas em Goiás, considerando as faixas 1, 2 e 3, e comparou os números com o governo Jair Bolsonaro. “É incomparável o que o Lula fez com o que aqueles caras fizeram em quatro anos”, declarou.
O ministro também citou a expansão dos Institutos Federais e do Mais Médicos. Segundo Boulos, o número de profissionais do programa passou de 13 mil para 26 mil desde o retorno de Lula à Presidência.
Possível visita de Lula
Além da mobilização da militância, a campanha petista trabalha com a possibilidade de trazer Lula novamente a Goiás. Conforme apurado pelo O HOJE, o presidente poderá visitar o Estado caso Luis Cesar ultrapasse 15% nas pesquisas de intenção de voto até meados deste mês.
A pesquisa AtlasIntel, que colocou o petista na marca de 10,7%, ouviu 1.214 eleitores entre 27 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-05293/2026.
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