Caso Master e crise no STF: Lula diz que país não pode ficar refém de vazamentos seletivos
Presidente se pronuncia pela primeira vez sobre a crise e defende código de ética para o Judiciário; Fachin dá cinco dias para Moraes, Mendonça, PGR e PF prestarem esclarecimentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou o silêncio sobre a crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) após as revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros da corte. Em vídeo gravado no Palácio do Planalto e divulgado na noite desta quinta-feira (3) pela Secretaria de Comunicação Social, Lula defendeu um código de ética para o Judiciário e criticou os vazamentos das investigações.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, afirmou.
Sem citar diretamente as mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, nem o encontro do banqueiro com o ministro André Mendonça em março de 2025, Lula cobrou postura das instituições. “Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República (PGR) liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira”, disse.
No mesmo dia, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido de investigação contra Mendonça, apontando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a grupos políticos na condução dos casos Master e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em resposta, Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o PGR Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, se manifestem em até cinco dias úteis sobre os acontecimentos que provocaram a crise no tribunal.
Nos bastidores, o ministro Gilmar Mendes havia se reunido com Lula na terça-feira (1º) e dito ao presidente que o governo demorou a agir para evitar que a crise entre o gabinete de Mendonça e a direção da PF se agravasse. Lula também conversou com Fachin no mesmo dia para medir a temperatura da crise dentro do STF.
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