Nikolas Ferreira pediu ajuda de Vorcaro para liberar ativo de mineração de ex-assessor
Áudio mostra deputado apresentando advogado ao dono do Banco Master e dizendo que queria estreitar relação com o banqueiro
Um áudio enviado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, registra uma tentativa de aproximação entre o banqueiro e Thiago Rodrigues de Faria, advogado que havia sido assessor do parlamentar. A conversa ocorreu em março de 2025 e tinha como objetivo tratar de um ativo minerário que, segundo Nikolas, precisava avançar dentro de uma empresa.
Na mensagem, o deputado admite que não conhecia os detalhes da negociação, mas se oferece para fazer a ponte. Nikolas explica a Vorcaro que seu advogado havia mencionado o nome do banqueiro e afirma que poderia encaminhar o contato para que os dois conversassem diretamente. “Não sei nem do que se trata”, diz o parlamentar, antes de oferecer a interlocução.
O áudio também revela que Nikolas buscava estreitar sua relação com Vorcaro. Ao iniciar a mensagem, ele chama o banqueiro de “Dani” e, ao final, de “lindão”. O deputado ainda aproveita a oportunidade para se desculpar por críticas feitas anteriormente ao empresário e afirma que esperava esclarecer o episódio pessoalmente.
A resposta de Vorcaro veio poucos minutos depois. Após receber o contato de Thiago Faria, o banqueiro escreveu a Nikolas: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Em seguida, pediu que o advogado o procurasse. No dia seguinte, Nikolas informou que Thiago estaria em Brasília e poderia encontrá-lo a qualquer momento. A resposta de Vorcaro foi: “Deixa comigo”.
O material não permite concluir se o banqueiro efetivamente atuou para viabilizar o negócio ou se houve algum resultado concreto após a apresentação feita pelo deputado.
A situação envolvendo o ex-assessor chama atenção porque Faria apareceu posteriormente em investigações da Polícia Federal sobre negócios de mineração. Ele teve seu nome relacionado à Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025 para investigar um esquema de extração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.
Segundo informações citadas na apuração, a empresa de advocacia de Faria havia firmado contrato com a Gmais Ambiental para atuar em uma negociação envolvendo uma lavra. O acordo previa uma remuneração de 25% sobre o lucro total estimado para a operação. Documentos da investigação mencionaram valores que poderiam variar de US$ 30 milhões a mais de US$ 45 milhões.
A investigação também apontou relações entre o negócio e a mineração Topázio Imperial, responsável por direitos minerários de uma área onde fica a barragem Água Fria, em Minas Gerais. A estrutura era apontada como de alto risco e estava sem operação por determinação relacionada à atuação do Ministério Público Federal.
Não há, porém, elemento no material apresentado que permita afirmar que o ativo mencionado por Nikolas no áudio seja necessariamente o mesmo negócio investigado na Operação Rejeito. Também não é possível concluir que o deputado soubesse de qualquer irregularidade envolvendo a negociação quando fez o contato com Vorcaro.
Procurado sobre o episódio, Thiago Faria confirmou que trabalha com mineração e disse que havia um ativo minerário que foi apresentado a diferentes pessoas. Ele afirmou ainda que não tem relação com as irregularidades investigadas pela Polícia Federal e que nunca foi chamado para depor no caso.
O contato entre Nikolas e Vorcaro também ocorreu em um contexto de relação anterior entre os dois. Em 2024, o deputado havia criticado um evento financiado pelo Banco Master em Londres. No áudio de março de 2025, Nikolas retoma o episódio e diz ter se arrependido da publicação, afirmando que não sabia que o banco de Vorcaro estava envolvido.
Meses depois, mensagens atribuídas a Vorcaro também vieram a público com uma afirmação sobre viagens de Nikolas. Em uma conversa de abril de 2024, o banqueiro teria escrito que havia bancado “todos os voos” utilizados pelo deputado e ameaçado divulgar a informação. O conteúdo não esclarece quantas viagens teriam sido pagas nem em quais circunstâncias.
Durante a campanha eleitoral de 2022, Nikolas chegou a utilizar um jato de Vorcaro em uma agenda de aproximadamente dez dias de apoio à candidatura de Jair Bolsonaro. O deputado passou por diferentes estados e pelo Distrito Federal durante o período.
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