Delação de Vorcaro que liga Kassab a propina é “ruído que traz problemas” a ex-governador de Goiás
Uma proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmava que a doação para as campanhas do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022 tem origem em negociação de propina negociada com o presidente do PSD e o candidato a vice-presidente na chapa de […]
Uma proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmava que a doação para as campanhas do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022 tem origem em negociação de propina negociada com o presidente do PSD e o candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), Gilberto Kassab. No total, os dois candidatos receberam R$ 5 milhões do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que é um dos investigados na Operação Compliance Zero. A informação foi divulgada pela coluna do jornalista Fabio Serapião, do UOL.
À reportagem do O HOJE, a assessoria do PSD diz que não deve haver impacto na campanha de Caiado porque não existe qualquer prova. Interlocutores afirmam que a delação é uma fantasia e que, por isso, foi recusada três vezes.
Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-GO), Pedro Pietrafesa, essa declaração do ex-banqueiro é “um ruído que traz problemas” para a campanha caiadista. De acordo com Pietrafesa, o impacto acontece devido ao tamanho político de Kassab.
“Não é qualquer vice, é um vice que é presidente do PSD. É um político que, nos bastidores, tem bom trânsito e que estava ali muito próximo, no Governo de São Paulo, e articulando nacionalmente o fortalecimento do PSD. Então isso é bastante importante”, explica.
Queda nas pesquisas
A candidatura de Caiado tem perdido força, segundo dados das últimas pesquisas. No início da campanha, o goiano figurava como o terceiro postulante ao Palácio do Planalto com mais intenção de votos. No entanto, levantamentos divulgados nesta semana mostram o pessedista sendo ultrapassado por Augusto Cury (Avante).
Nesse cenário, Pietrafesa ressalta que o impacto nas pesquisas vai depender de como a campanha vai trabalhar esse caso, uma vez que não envolve diretamente Caiado e sim o vice. Ainda assim, a declaração de Vorcaro pode atrapalhar os planos do ex-governador de se colocar como opção a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
“Mesmo que ele, pessoalmente, não seja a pessoa envolvida, mas uma pessoa do peso que tem o vice dele, o Kassab, no mundo político, pode prejudicar no sentido de que ele estava se colocando como um nome limpo. Um nome que não tinha nenhum tipo de denúncia de corrupção no seu entorno. Agora tem uma denúncia que está estourando no colo da campanha dele”, diz.
Kassab e Tarcísio
Em nota, Gilberto Kassab negou ter relação com Daniel Vorcaro. Segundo o dirigente do PSD, o relato do ex-banqueiro é “absolutamente fantasioso”. “Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone”, afirmou.
Também em nota, a assessoria do governador de São Paulo afirmou não ter vinculação com Vorcaro. Além disso, ressaltou que a campanha de 2022 teve “mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral”.
“O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas da campanha foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”, argumentou.
Flávio Bolsonaro
Mesmo não sendo citado, o senador e candidato do PL também pode ter a campanha afetada, segundo Pietrafesa. Esse impacto acontece devido à doação para a campanha do seu pai, Jair Bolsonaro, que foi candidato à Presidência da República em 2022.
“O nome do Flávio Bolsonaro volta à tona no escândalo do Vorcaro. Quando começou a semana que se achou que ia se focar no Alexandre de Moraes e, consequentemente, fazendo associações com o governo Lula para tentar desgastar o governo Lula. A gente está terminando a semana com o nome do Flávio Bolsonaro voltando a ser conectado com o Vorcaro. Então, para a campanha dele, isso vai ser ruim”, observa. (Especial para O HOJE)
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