quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Comércio Exterior

Queda nas vendas à China derruba exportações de carne bovina em Goiás

Embarques goianos recuaram de R$ 110,5 milhões em junho para R$ 8,2 milhões em agosto, enquanto frigoríficos ampliam a busca por outros mercados

João César Almeidapor em
china
Foto: Valter Campanato/ABr

As exportações brasileiras de carne bovina perderam força em agosto, pressionadas principalmente pela proximidade do limite da cota estabelecida pela China. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os embarques recuaram 27,1% em volume na comparação com agosto de 2025. Em valor, a queda foi de 19,7%, com US$ 1,2 bilhão exportado no mês, ante US$ 1,5 bilhão um ano antes.

Para 2026, a China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Acima desse volume, a tarifa de importação passa de 12% para 67%. No início de agosto, o governo chinês informou ao Brasil que 90% do limite já havia sido utilizado, o que levou os exportadores a reduzir preventivamente os embarques para evitar a cobrança adicional.

Apesar da retração mensal, o acumulado do ano ainda permanece positivo. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras de carne resfriada e congelada cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor em relação ao mesmo período de 2025. A desaceleração das vendas à China também impactou o desempenho geral das exportações destinadas à Ásia, que recuaram 19,2% em volume em agosto.

Goiás sente impacto da desaceleração

Em Goiás, a redução das exportações aparece de forma mais acentuada nos dados recentes. As vendas externas de carne bovina passaram de aproximadamente R$ 110,5 milhões em junho para R$ 57,3 milhões em julho e R$ 8,2 milhões em agosto. O movimento chama atenção porque as exportações representam entre 30% e 40% da produção total de carne bovina do Estado.

A cota chinesa para este ano foi cerca de 30% menor que a de 2025. Ao mesmo tempo, a demanda elevada e a competitividade da carne brasileira contribuíram para que o limite fosse preenchido mais rapidamente, aumentando a necessidade de reorganização dos embarques nos últimos meses de 2026.

Mesmo com a queda das exportações, o mercado goiano ainda não registrou uma redução acentuada nos preços pagos ao pecuarista. A oferta menor de animais terminados e a retenção de fêmeas no atual ciclo pecuário têm ajudado a sustentar o valor da arroba.

O cenário pode mudar, entretanto, caso parte relevante da carne que deixaria de ser enviada à China permaneça no mercado brasileiro. Um aumento da oferta doméstica pode pressionar os preços, principalmente se outros destinos internacionais não conseguirem absorver o excedente. A capacidade de consumo interno também será determinante para limitar os impactos sobre a rentabilidade dos produtores.

Diante da redução das vendas para a China, a diversificação de destinos ganha peso para frigoríficos e pecuaristas goianos. Chile, México, Rússia e Egito aparecem entre os mercados que podem ampliar as compras, enquanto Coreia do Sul e Japão são considerados destinos de maior valor agregado.

Importância dos Estados Unidos

Outro país relevante neste momento são os Estados Unidos que, desde janeiro, ultrapassou a China e se tornou o principal destino da carne do Estado. No primeiro trimestre de 2026, o valor das exportações goianas ao mercado norte-americano cresceu 188,1%. Entre janeiro e maio, Goiás movimentou US$ 913,1 milhões com a venda externa da proteína, crescimento de 28,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume embarcado avançou 8,7%.

Uma ampliação temporária da cota de importação dos Estados Unidos também pode criar novas oportunidades entre setembro e novembro. O governo norte-americano adicionou 300 mil toneladas de aparas magras e recortes de carne bovina à quantidade que poderá entrar com tarifa reduzida. Mesmo assim, o volume não é exclusivo para o Brasil e será disputado entre os países habilitados.

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