Queda nas vendas à China derruba exportações de carne bovina em Goiás
Embarques goianos recuaram de R$ 110,5 milhões em junho para R$ 8,2 milhões em agosto, enquanto frigoríficos ampliam a busca por outros mercados
As exportações brasileiras de carne bovina perderam força em agosto, pressionadas principalmente pela proximidade do limite da cota estabelecida pela China. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os embarques recuaram 27,1% em volume na comparação com agosto de 2025. Em valor, a queda foi de 19,7%, com US$ 1,2 bilhão exportado no mês, ante US$ 1,5 bilhão um ano antes.
Para 2026, a China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Acima desse volume, a tarifa de importação passa de 12% para 67%. No início de agosto, o governo chinês informou ao Brasil que 90% do limite já havia sido utilizado, o que levou os exportadores a reduzir preventivamente os embarques para evitar a cobrança adicional.
Apesar da retração mensal, o acumulado do ano ainda permanece positivo. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras de carne resfriada e congelada cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor em relação ao mesmo período de 2025. A desaceleração das vendas à China também impactou o desempenho geral das exportações destinadas à Ásia, que recuaram 19,2% em volume em agosto.
Goiás sente impacto da desaceleração
Em Goiás, a redução das exportações aparece de forma mais acentuada nos dados recentes. As vendas externas de carne bovina passaram de aproximadamente R$ 110,5 milhões em junho para R$ 57,3 milhões em julho e R$ 8,2 milhões em agosto. O movimento chama atenção porque as exportações representam entre 30% e 40% da produção total de carne bovina do Estado.
A cota chinesa para este ano foi cerca de 30% menor que a de 2025. Ao mesmo tempo, a demanda elevada e a competitividade da carne brasileira contribuíram para que o limite fosse preenchido mais rapidamente, aumentando a necessidade de reorganização dos embarques nos últimos meses de 2026.
Mesmo com a queda das exportações, o mercado goiano ainda não registrou uma redução acentuada nos preços pagos ao pecuarista. A oferta menor de animais terminados e a retenção de fêmeas no atual ciclo pecuário têm ajudado a sustentar o valor da arroba.
O cenário pode mudar, entretanto, caso parte relevante da carne que deixaria de ser enviada à China permaneça no mercado brasileiro. Um aumento da oferta doméstica pode pressionar os preços, principalmente se outros destinos internacionais não conseguirem absorver o excedente. A capacidade de consumo interno também será determinante para limitar os impactos sobre a rentabilidade dos produtores.
Diante da redução das vendas para a China, a diversificação de destinos ganha peso para frigoríficos e pecuaristas goianos. Chile, México, Rússia e Egito aparecem entre os mercados que podem ampliar as compras, enquanto Coreia do Sul e Japão são considerados destinos de maior valor agregado.
Importância dos Estados Unidos
Outro país relevante neste momento são os Estados Unidos que, desde janeiro, ultrapassou a China e se tornou o principal destino da carne do Estado. No primeiro trimestre de 2026, o valor das exportações goianas ao mercado norte-americano cresceu 188,1%. Entre janeiro e maio, Goiás movimentou US$ 913,1 milhões com a venda externa da proteína, crescimento de 28,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume embarcado avançou 8,7%.
Uma ampliação temporária da cota de importação dos Estados Unidos também pode criar novas oportunidades entre setembro e novembro. O governo norte-americano adicionou 300 mil toneladas de aparas magras e recortes de carne bovina à quantidade que poderá entrar com tarifa reduzida. Mesmo assim, o volume não é exclusivo para o Brasil e será disputado entre os países habilitados.
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